Chegado ao território de Cesareia de Felipe, Jesus perguntou a seus discípulos: “No dizer do povo, quem é o Filho do homem?” Responderam: “Uns dizem que é João Baptista; outros, Elias; outro, Jeremias ou um dos profetas”. Disse-lhes Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” (Mateus 16, 13-15).
Todo o homem pode ser admirado ou não por outros homens. Pelo positivo ou pelo negativo. Uns têm admiradores; outros têm fãs; outros têm mestres.
Os homens cristãos, para além de terem todos esses, têm mais um:
Aquele que foi e é o maior Homem da história da Humanidade.
Não tinha servos, mas chamavam-lhe mestre. Não tinha remédios, mas chamavam-lhe curador. Não se ocupou de batalhas militares, mas conquistou o mundo. Não cometeu crimes, mas crucificaram-No; foi enterrado numa tumba, mas vive; nasceu sem uma concepção normal; superou a gravidade ao subir aos céus; subverteu a lei dos rendimentos decrescentes ao alimentar 5.000 pessoas com cinco pães de cevada e dois peixes. Ele é o começo e o fim.
Quem é este Homem de homens?
No dizer de Santo Agostinho este Homem “é médico, cura feridas; apaga a sede e o ardor da febre, pois é fonte; é contra a iniquidade, porque é Justiça. Coloca-se ao lado dos aflitos, porque é força; para os que temem a morte, é Vida; para os que querem voar, é Caminho; para os indecisos ou os das trevas, é Luz e para os esfomeados é comida”.
Assim, poder-se-á acrescentar que pelo que se conhece de Cristo e da Sua vida, Nele, não fazia parte o medo, nem o desespero, a ansiedade, a insegurança e a instabilidade.
Cristo era o Mestre e “provocava” as mentalidades. Informava o suficiente, mas educava muito. Era económico a falar, dizendo muito em poucas palavras: era ousado e perguntava mais do que respondia.
O homem é frequentemente previsível, apesar da sua complexidade. Cristo fugia a essa regra. Provocava as inteligências e instigava a quem por Ele passava. Cristo tinha metas.
Cristo era aberto e inclusivo. Não classificava pessoas, nem usava “espíritos santos de orelha” para atingir os objectivos da Sua Missão e o de ser o perfeito Sacerdote. Ninguém era indigno de se relacionar com Ele, por pior que fosse o seu passado.
Ora nós, cristãos, que confessamos Cristo nas nossas vidas, nos nossos corações – assim o afirmamos por vezes! – deixamos muito a desejar no relacionamento com os outros e, sobretudo, no amor aos irmãos que deveria existir. Cada um pensa ser o mais digno, o sem culpas de nada, ou, o que ainda é pior, sente-se o mais privilegiado de Cristo.
Cristo vivia no Inverno, mas “conseguia” ver as flores da primavera.
Cristo apreciava ser investigado, analisado, mas com inteligência. (E dessa forma provocou os escribas e fariseus).
O Cristo real foi o que cometeu loucuras de amor por cada ser humano. Foi o que teve a coragem de esquecer a sua dor para pensar na dor do outro, mesmo que o outro fosse um carrasco, um perseguidor.
“O meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a daquele que me enviou”.
Finalmente, analisar, investigar ou dizer quem foi e quem é Jesus Cristo, será sempre um dos maiores desafios da ciência, assunto que nunca tentaram os ateus e tantos outros! Esta gente, dificilmente entenderá porque Cristo incendiou o mundo com a Sua vida e a Sua história, a menos que O descubram com a fé dos simples e dos humildes, uma vez que Ele ultrapassa os limites da previsibilidade psicológica.
Até o Centurião Petrónio - vendo Cristo a morrer - silencioso e a tremer, não se apercebendo dos verdugos/assistentes à sua volta, estupefacto, diz: “Na verdade, este homem era justo”.
Ele era justo e foi uma fagulha que nasceu entre animais, cresceu numa região desprezada, mas incendiou a história de toda a Humanidade! E os que foram pasto para feras e os que tombaram ao fio da espada, bem como daqueles que ainda hoje tombam por causa do Seu Nome, sempre serão adubo para cultivar novas safras de sementes.
Neste Justo, tudo se acha nele, e honrados se sentem os cristãos por seguirem o Mestre de todos os mestres. Pena é que existam cristãos/católicos descafeinados, mornos e insípidos: uns vivem segundo as suas conveniências, outros, apenas decoraram os Evangelhos.
(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)