Tal como o mundo é feito de mudança, também a vida do cristão é feita de conversão.
Esta consiste em passar de uma vida onde o «eu» é dominador para uma vida onde Cristo seja reconhecido como Senhor.
Desde o Batismo é sacramentalmente assim. «Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim» (Gál 2, 20).
Mas quem pode garantir que não vacila, que não recua? Afinal, quem não precisa de conversão?
Com vista à recuperação da graça batismal, contamos com preciosos auxílios depositados por Cristo na Sua Igreja.
A «segunda tábua de salvação depois do Batismo» é conhecida por cinco designações, relevando cada uma acentuações que confluem no sentido da urgência de transfiguração da nossa existência.
A primeira denominação que o Catecismo da Igreja Católica nos oferece é precisamente a de «Sacramento da Conversão, porque realiza o apelo de Jesus à conversão e o esforço de regressar à casa do Pai de quem se afastou pelo pecado».
A segunda denominação é a de «Sacramento da Penitência, pois consagra uma diligência pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador».
A terceira – e talvez mais popular – denominação é a de «Sacramento da Confissão, porque a confissão dos pecados perante o sacerdote é um elemento essencial deste sacramento».
E, na verdade, este sacramento envolve uma «confissão» e, ao mesmo tempo, um reconhecimento da santidade de Deus.
Como lembrou São João Paulo II, a declaração dos pecados «aparece como tão relevante que, desde há séculos, o nome usual do sacramento foi – e ainda é – o de “confissão”».
Do mesmo modo, o ministério do sacerdote neste sacramento chama-se «confessor» e o lugar habitual é apresentado como «confessionário».
A quarta denominação que o Catecismo nos coloca é a de «Sacramento do Perdão porque, pela absolvição sacramental, Deus concede ao penitente o perdão e a paz».
E como é pertinente, num mundo dominado pelo ódio e sufocado pela vingança, realçar a importância da cultura do perdão.
Finalmente, a quinta denominação é de «Sacramento da Reconciliação», porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: «Reconciliai-vos com Deus» (2Cor 5, 20).
Na verdade, aquele que vive do amor misericordioso de Deus está pronto a responder ao imperativo: «Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão» (Mt 5, 24)».
Sendo o Batismo o momento da primeira – e fundamental – conversão, o apelo à mudança nunca deixa de se fazer ouvir.
O Sacramento do Perdão desponta, pois, como uma espécie de segunda conversão, sendo uma tarefa constante para toda a Igreja, que contém pecadores no seu seio.
O chamamento à conversão, antes de se concretizar no exterior, tem de emergir a partir do interior, com a conversão do coração.
Sem esta, as obras de penitência seriam estéreis e enganadoras. Pelo que se impõe um desejo de mudar de vida, contando sempre com a misericórdia divina e a ajuda dos irmãos.