Hoje, começo com as polémicas relacionadas com a casa, o tanque, o empreiteiro amigo e as explicações dadas. O que não é bem explicado acaba, sempre, por deixar mais dúvidas (ou algumas certezas a desfavor daquele que se defende) do que as suscitadas inicialmente. Está tudo esclarecido? A resposta é não. As polémicas relativas a governantes tendem a esticar-se no tempo, porque estes devem achar que assim se protegem ou que a coisa vai acabar por esquecer. Depois, quando têm mesmo de responder a mais requisitos, os partidos começam por se opor a comissões de inquérito parlamentares, depois cedem quando a pressão aumenta e aí os visados acabam todos por se enterrar mais do que já estavam. Nessas situações, os mais criativos transformam a coisa séria em piadas e anedotas que vão parar às redes sociais. Ditas devagar ou rapidamente, ditas a rir a bom rir ou ditas muito seriamente, devem deixar-nos preocupados. Afinal, acabam por arrasar ainda mais aqueles que supostamente nos representam nas mais altas instâncias do país.
Nas matérias de governação que fogem à lisura e normalidade, culpo quem se esconde atrás de um inquérito adiado ou mandado para as calendas gregas, quem se mantém no cargo com prejuízo para a imagem de uma instituição e quem, tendo responsabilidades hierárquicas, não age com oportunidade. Bem, é preciso que o mais alto responsável seja eticamente irrepreensível. Concretamente, no caso que se arrasta sem fim à vista, enquanto o Presidente pede o rápido “apuramento de responsabilidades”, o Parlamento nega a audição do governante em questão! Que lhes parece o Primeiro-Ministro achar estranho que a conferência de líderes da Assembleia da República tenha decidido como decidiu? A mim parece-me de uma grande lata que tenha dito o que disse. O país precisa mesmo de prevenir-se nas escolhas que faz.
2. Todos os anos trago aqui, pelo menos a uma das crónicas semanais, o flagelo dos fogos. Não aceito passivamente que sejam as alterações climáticas as grandes responsáveis, ainda que possam ter alguma influência. Por cá, como por lá fora, os políticos que governam defendem-se com argumentos de responsabilização do clima e da natureza. Para mim, não colhem, como também não colhem para muitos outros. Podemos ser pessoas tecnicamente menos informadas, mas seremos certamente bem formadas. O nosso Estado não tem investido na prevenção, por mais que os governantes agitem as folhas de excel com gráficos e números aos milhões na execução orçamental. Nos períodos críticos do ano, bombeiros, forças policiais e batalhões militares não podem estar só de prontidão, têm de estar a fazer prevenção. É feio culpar só os outros, os incendiários encartados e os que a trabalhar deixam as faíscas das máquinas manuseadas misturar-se na vegetação seca. Os que sabem defender o povo têm de ser chamados à floresta e às zonas onde há material de combustão fácil antes de eclodirem as faíscas. É mais seguro para todos, seguramente mais económico e a melhor forma de proteger a paisagem e o património público e dos cidadãos em particular. Não há bons ministros da Administração Interna que não criem condições para evitar os desastres que vão acontecendo, muito menos se podem qualificar tais responsáveis do Executivo no superlativo absoluto como fez recentemente Montenegro. Haja critério no que se diz, mas se isso for difícil, ao menos que sejam escolhidas as políticas certas.