No dia 26 de julho, o Padre José Barbosa Granja irradiava uma alegria, notada por todos nós que tivemos a honra de estar com ele nesta data tão nobre e tão significativa, celebrando cinquenta anos de entrega ao Senhor, como sacerdote. Dizia na homilia que no dia 25 de junho, do ano de 1976, estava ele na mesma Igreja de Alheira, sua terra natal, a celebrar a sua Missa Nova perante os seus saudosos pais e de tanta gente querida, infelizmente, uma grande parte já falecida e que guardava “viva” no seu coração. Escolheu o mesmo local para festejar e celebrar ardentemente as suas Bodas de Ouro Sacerdotais, porque, dizia ele, «foi aqui que recebi o Santo Batismo, a graça de ser Filho de Deus e pertencer à Sua Igreja, à Igreja de Cristo; que aprendi a dar os meus primeiros passos em consonância com os meus pais, as minhas catequistas e de toda a comunidade que me encaminhou na fé. Foi aqui que aprendi a ajoelhar-me perante o Santíssimo Sacramento e a rezar baixinho junto dos joelhos da minha santa mãe… Foi aqui que ouvi , nas mesmas leituras da minha Missa Nova, que hoje escolhi, logo na primeira leitura do Profeta Isaías: o Espírito de Deus que em mim habita, Ele está sobre mim, Ele me ungiu e me deu todas as graças pelo Batismo, Confirmação e pelo Sacramento da Ordem pela imposição das mãos do Bispo D. António Ferreira Cabral que substituiu o Arcebispo D. Francisco Maria da Silva. Foi pelo Espírito Santo que Consagrei o Pão e o Vinho em Corpo e Sangue do Senhor, que perdoei os pecados pelo Sacramento da Confissão, foi pelo Espírito Santo que batizei, que assisti a casamentos, foi pelo Espírito Santo que me levantei das quedas do dia a dia, nas minhas dificuldades, que meditei na Palavra de Deus, pondo-a em prática e evangelizando o povo que me tem sido confiado…»
Terminou a sua homilia dizendo: «… Deus continua a chamar-me, será sempre o meu guia enquanto me deixar viver… quero continuar a pedir a Deus o dom da perseverança e cada um de vocês, que hoje me acompanham, é um amigo, um presente de Deus…»
Ingressou no Seminário de Nossa Senhora da Conceição no dia 7 de outubro de 1963. Ao fim de 13 anos de estudo, foi ordenado presbítero no dia 18 de julho de 1976, sendo, logo, escolhido, pelo Arcebispo D. Francisco Maria da Silva, para prefeito e professor do Seminário Menor de Braga, posteriormente, em 1978, foi nomeado Capelão da Força Aérea e Assistente Nacional da Ação Católica. Volta, em 1980, para prefeito e professor do Seminário Menor; no triénio de 1980/83 foi tesoureiro da Fraternidade Sacerdotal; no ano letivo 1983/84 foi nomeado, novamente, prefeito dos 10º e 11º anos dos Seminários de Braga, continuando como professor no Seminário Menor.
O seu serviço como pároco começou em Moure e Atiães (Vila Verde) e capelão do Lar das Irmãs da Sagrada Família em Atiães, continuando, como professor no Seminário Menor, sendo também de 1985/87 Diretor Espiritual do Seminário Menor. Foi Professor de Religião e Moral na então denominada Escola Preparatória de Vila Verde (1985). No dia 10 de setembro de 1987 foi escolhido para Arcipreste de Vila Verde, cargo homologado pelo Arcebispo D. Eurico Dias Nogueira. Nos anos entre 1988 a 93, foi nomeado, pelo mesmo prelado, Secretário do Conselho de Arciprestes; no dia 1 de outubro de de 1989 exerceu o cargo de Professor de Religião/Moral na Escola Secundária de Vila Verde; passou a ser pároco de Vila Verde, continuando com Moure e Atiães, deixando estas últimas em 1980, ficando apenas com a paróquia da sede do concelho, onde levou avante uma grande obra que foi o restauro da Igreja Paroquial, sendo, ao mesmo tempo, proposto pelo então Bispo Auxiliar de Braga, D. Jorge Ortiga, autorizado a fazer uma reciclagem pastoral na Universidade de Salamanca; em 1994, acumulou a administração paroquial deTravassós; entre 1994 a 1997 exerce mais um cargo de coordenador das atividades pastorais do Seminário Conciliar em acumulação com os anteriores.
Em 1994, deixou Vila Verde, sendo nomeado pároco de Riba de Ave e Capelão da Santa Casa da Misericórdia do mesmo concelho; Em 31 de julho foi dispensado da paróquia anterior para servir a LOC (Liga Operária Católica), como assistente a nível nacional, a pedido da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa); no quinquénio 1999/2003 Assistente Europeu dos Movimentos de Trabalhadores Cristãos da Europa; ainda dentro da data anterior, em 27/07/2000, nomeado pároco de Forjães, Esposende e, ao mesmo tempo, em 27/11/2001 foi eleito membro da Assembleia Sacerdotal de Braga e de Viana do Castelo, sendo, ainda nomeado Vice-Arcipreste de Esposende entre os anos 2004 e 2008; 18 de julho, assumiu a paroquialidade de Balasar, Póvoa de Varzim, deixando a paróquia de Forjães; por recomendação médica, autorizado a fazer um ano sabático em Fátima, no dia 18 de julho de 2009, deixando, entretanto, Santa Eulália de Balasar, continuando, no ano seguinte, em Fátima a pedido do Reitor do Santuário, sendo no ano de 2011 nomeado Reitor da Basílica dos Congregados, Coordenador do Secretariado Arquidiocesano da Pastoral da Mobilidade Humana- Migrações e Delegado Arquidiocesano para o Congresso Eucarístico de Dublin, posteriormente, entre 2012 e 2016, nomeado Delegado Arquidiocesano de pastoral, desempenhando, em 2014, o Órgão de Vigilância da Irmandade de Santa Cruz em Braga, regressando, em 12 de setembro de 2013, ao Seminário Menor como Diretor Espiritual.
Movido, com certeza, pela sua espiritualidade com Deus sempre presente no seu coração, como acentuou na homilia dos seus 50 anos de sacerdócio, quis fazer uma experiência monástica da OSB (Ordem de S. Bento – Monges Beneditinos), em Singeverga. Em 27 de maio de 2021 volta ao serviço paroquial, sendo nomeado pároco de S. Miguel de Roriz, S. Salvador do Campo, S. Mateus de Grimancelos e S. João Batista de Chavão. Neste momento, desde 14 de maio de 2026, passou a ser Vigário Paroquial destas últimas, de Viatodos, do Divino Salvador de Minhotães e de S. Pedro de Monte de Fralães, sob a moderação do pároco Padre Tiago Nogueira.
O Padre Granja deixou marcas fortes por onde passou com o seu trabalho, a sua dedicação, valorizando o património com imensas obras que levou por diante, instituições, fundando grupo de escuteiros e tantos outros grupos ligados à Igreja, sabendo, com a sua simplicidade acolher o povo de Deus que lhe foi confiado, inclusivamente, os jovens. Tudo isto foi testemunhado, nas suas Bodas de Ouro, por muitos dos seus paroquianos que usaram da palavra. Deus sabe avaliar, melhor do que os homens, toda esta sua entrega.