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Muito além dos tapetes: prevenir quedas no domicílio

As quedas na população idosa são um importante problema de saúde pública, com impacto na autonomia, qualidade de vida e utilização dos serviços de saúde. Em Portugal, mais de 40 mil episódios de queda em pessoas com 65 ou mais anos motivaram recurso aos serviços de urgência só em 2023, sendo que a maioria ocorre no próprio domicílio. 

Apesar de muitas vezes serem vistas como inevitáveis, as quedas podem ser prevenidas. O risco resulta da combinação de vários fatores: alterações do equilíbrio e da marcha, perda de força muscular, doenças crónicas, problemas de visão ou audição, toma de múltiplos medicamentos e também condições do domicílio, como má iluminação ou presença de obstáculos. 

No acompanhamento domiciliário, é comum identificar situações de risco que passam despercebidas no dia a dia, desde pequenos obstáculos a hábitos que comprometem a segurança. As consequências podem ser graves e incapacitantes: fraturas, traumatismos e outras lesões, perda de autonomia nas atividades do dia a dia, medo de cair novamente, isolamento social e maior dependência de cuidadores, com aumento da utilização dos serviços de saúde. Por isso, prevenir é fundamental. 

Mais do que “tirar tapetes”, a prevenção exige uma abordagem global e centrada na pessoa. A evidência científica mostra que atuar sobre vários fatores em simultâneo é a forma mais eficaz de reduzir o risco. Neste contexto, destaca-se a promoção do envelhecimento ativo, incentivando a participação, a mobilidade e a prática regular de exercício físico – especialmente treino de força e equilíbrio, essenciais para manter a funcionalidade e prevenir quedas. 

No dia a dia, pequenas mudanças fazem a diferença: melhorar a iluminação da casa, instalar barras de apoio (sobretudo na casa de banho), usar calçado antiderrapante e levantar-se de forma progressiva. Sempre que necessário, devem ser utilizados auxiliares de marcha. 

Os profissionais de saúde têm aqui um papel central. O enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação destaca-se pela sua capacidade de avaliar a pessoa de forma global e promover a autonomia, através do treino de equilíbrio, reeducação funcional e orientação da pessoa e da família para comportamentos mais seguros. 

Na Unidade Local de Saúde de Braga, têm sido desenvolvidas iniciativas de proximidade para sensibilizar a população e promover a literacia em saúde, incluindo intervenções na comunidade. Estas ações são essenciais, sobretudo porque é no domicílio que ocorre a maioria das quedas. 

Como profissionais de saúde de proximidade, no contexto comunitário e domiciliário, importa reforçar que uma parte significativa das quedas podem ser prevenidas. Investir na prevenção é garantir mais autonomia, mais qualidade de vida e menos internamentos. 

Prevenir hoje é viver melhor amanhã, com mais segurança e autonomia. 

Joana Pereira e Manuela Silva

Joana Pereira e Manuela Silva

19 junho 2026