A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga defende que o período de férias deve ser entendido como um direito e uma condição essencial para a dignidade humana.
Numa mensagem dedicada ao tempo de férias, a Comissão sublinha que descansar «não é um luxo, nem uma simples interrupção do calendário laboral», mas uma «necessidade humana, familiar, espiritual e social».
Afirmando que as férias permitem às pessoas reencontrarem tempo para a família, a amizade, a cultura, a natureza, o silêncio, a oração e o cuidado, o organismo da Arquidiocese de Braga destaca a importância de valorizar o descanso, a vida familiar e a dimensão espiritual, ainda que o trabalho seja essencial para a realização humana, participação social e independência económica.
«Num tempo marcado pela pressa, pela produtividade e pela pressão permanente, importa afirmar com clareza: a pessoa é mais importante do que o trabalho», sublinha.
Citando a passagem da encíclica “Magnifica humanitas”, em que o Papa Leão XIV afirma que «o trabalho não é um mero instrumento, mas expressa e enriquece a dignidade da nossa vida», sendo «um ordinário caminho para a maturidade, o desenvolvimento e a realização pessoal», a Comissão afirma que «precisamente por isso, o trabalho não pode absorver toda a existência».
A mensagem salienta que quando o trabalho ocupa um «lugar excessivo» na vida de cada um, «ficam feridas a dignidade da pessoa, a vida familiar e a própria qualidade da sociedade».
Nota ainda que o direito ao descanso constitui uma «questão de justiça» e que «não nasceu de forma espontânea nem foi uma concessão generosa dos poderes económicos ou políticos».
«Foi conquistado pela luta persistente dos trabalhadores, que reclamaram – e continuam a reclamar - horários mais humanos, descanso semanal, tempo livre e férias remuneradas», lembra a Comissão diocesana, defendendo que estas conquistas sociais «devem ser protegidas, valorizadas e tornadas efetivas para todos».
A Comissão de Justiça e Paz de Braga fundamenta a sua posição na Doutrina Social da Igreja, evocando documentos como a Constituição Pastoral “Gaudium et spes”, do Concílio Vaticano II, e encíclica “Laborem exercens”, de João Paulo II, que reconhecem o direito ao descanso, ao tempo livre, às férias.
«O descanso não é, portanto, uma realidade secundária: pertence à dignidade do trabalhador e à justiça das relações sociais», enfatiza.
Segundo o organismo, esta exigência assume especial atualidade face os atuais ritmos de vida, frequentemente marcados pela sobrecarga laboral e pela dificuldade em conciliar trabalho e vida familiar.
Citando novamente a última encíclica de Leão XIV, a Comissão, presidida por Eduardo Jorge Madureira, alerta que a ausência de equilíbrio entre trabalho e descanso enfraquece as famílias e dificulta o desenvolvimento dos mais jovens.
O organismo da Arquidiocese de Braga destaca igualmente a importância das férias como oportunidade para fortalecer relações familiares e comunitárias, promover o encontro de gerações, cuidar das pessoas mais vulneráveis e recuperar espaços de silêncio e interioridade.
Para os cristãos, esta dimensão, recorda, encontra uma expressão regular na vivência do domingo, entendido como Dia do Senhor e tempo dedicado à celebração da Eucaristia, ao convívio familiar, à fraternidade e ao descanso.
«A paragem – semanal e anual - recorda-nos que não somos máquinas de produzir, mas filhos e filhas de Deus, chamados à comunhão, à gratuidade e ao cuidado», acrescenta.
Lembrando que outras tradições religiosas valorizam igualmente «tempos e gestos que interrompem a lógica da pressa e da produção», o organismo refere que para os cristãos defender as férias, o descanso semanal e a vivência plena do domingo «é defender a dignidade humana».
A concluir a mensagem, a Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz deseja que as férias sejam vividas como um tempo de verdadeiro descanso, gratidão, encontro e renovação pessoal.