A Arquidiocese de Braga acolheu, este domingo, com alegria, gratidão e renovada esperança três novos sacerdotes, ordenados na Sé Primaz, numa celebração presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro.
Bruno Pinto, Carlos Furtado e Diogo Antunes, que fizeram a sua formação no Seminário Conciliar de Braga e terminaram recentemente o estágio pastoral em paróquias de Fafe, Vila do Conde e Vila Nova de Famalicão, assumiram o compromisso de dedicar a vida ao anúncio do Evangelho e ao serviço da Igreja.
Na homilia da Eucaristia, intitulada “Saber viver em Cristo”, D. José Cordeiro falou da missão desafiante e fascinante do presbítero, desafiando os novos sacerdotes a colocarem sempre Cristo no centro das suas vidas.
«Jesus Cristo não pode ocupar apenas um lugar importante ou decisivo na nossa vida, mas o total centramento. Ele é o centro vital, o mistério palpitante; caso contrário, será apenas mais um no coração do nosso ministério», referiu, alertando os novos padres para as dificuldades pastorais que vão encontrar ao longo do seu ministério.
Segundo D. José Cordeiro, os presbíteros hoje ordenados terão «angústias e cansaços» e poderão cair no risco do «ativismo», do «funcionalismo» e de uma «planificação mais empresarial do que pastoral», fruto da cultura contemporânea que «tende a desfigurar o presbítero da sua essencial dimensão mistérico-sacramental».
«Dizei ‘não’ ao individualismo na vida e na ação pastoral. Dizei ‘não’ à intriga eclesiática, a tudo o que nos afasta de Jesus, aos jogos de poder às vezes mascarados de comunhão. Não nos isolemos, porque perdemos o sentido do presbitério e o sentido eclesial», recomendou.
Viver em função de expectativas
pode levar à desilusão
D. José Cordeiro alertou ainda para o perigo de viver o sacerdócio em função de expetativas, quer criadas pelos próprios padres, quer pelas comunidades.
«Isso é caminho fácil para a desilusão, uma vez que a realidade nem sempre confirma essas mesmas expetativas», advertiu.
Sublinhando que a vida de um padre «é marcada pelas capacidades e pelas fragilidades, pelas alegrias e pelas tristezas», o Arcebispo considerou que para um sacerdote se tornar «pastor segundo o Coração de Jesus Cristo será necessária uma vida inteira».
Durante a homilia o prelado incentivou os novos padres a testemunharem o Reino de Deus nos meios onde vão ser inseridos, pois só assim poderão alargar «os horizontes da missão de “levar Jesus a todos e todos a Jesus».
«Nós somos convidados a ser fecundos, a ser pão. Não será o Evangelho a mudar, mas o nosso modo de o compreender e de o viver com sabedoria e paciência», enfatizou.
No início da homilia, D. José convidou os novos sacerdotes a recordarem sempre o momento em que sentiram o chamamento vocacional, considerando que essa memória irá ajudá-los a permanecer centrados no essencial da missão presbiteral.
Lembrou que ser sacerdote é um «dom da graça de Deus» que vai para além dos méritos e capacidades individuais, e reforçou que esta dádiva é para ser vivida na «entrega total no serviço à Igreja e aos Irmãos».
«É um bem que não pode ser guardado para nós e que não pode ser vivido isoladamente, mas sim na relação com as pessoas às quais somos enviados, e com o Bispo e os Presbíteros na fraternidade sacramental do Presbitério», explicou.
Necessidade de responder
aos desafios deste «tempo complexo»
Recomendou ainda aos novos padres que sejam capazes de responder aos desafios do «tempo complexo» em que vivemos, começando por «ter uma vida espiritual cuidada, com momentos diários de oração e não descurando os encontros frequentes com o diretor espiritual».
Aludiu ainda para a importância de acautelar o descanso pessoal, com uma «vida organizada e regrada», que garanta espaços e momentos para esse descanso.
Incentivou também os sacerdotes a serem discípulos missionários, recordando que o ministério sacerdotal não é uma «função, uma tarefa, uma promoção social ou religiosa», mas um «serviço a tempo inteiro» revestido de «sacramentalidade», que deve ser cumprido «em espírito sinodal e missionário».
Nesse sentido, defendeu a necessidade do presbítero «acolher» o próximo, mas também sair em busca dos quem anda desviado da Igreja.
«Ser Presbítero no séc. XXI continua a ser belo, ainda que desafiante», enfatizou, desafiando os novos sacerdotes a colocarem Cristo no centro das suas vidas.












