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AEMinho quer estratégia conjunta para aproveitar investimento galego no Alto Minho

Fotografia DR

Publicado em 08 de setembro de 2026, às 17:00

A Associação Empresarial de Braga alerta que, sem investimentos nas acessibilidades, ferrovia e áreas empresariais, o crescimento industrial da Galiza poderá atrair investimento que também poderia fixar-se no Alto Minho.

A Associação Empresarial do Minho (AEMinho) considera que o avanço da Plataforma Logística e Industrial de Salvaterra–As Neves (PLISAN), na Galiza, pode representar uma oportunidade estratégica para reforçar a competitividade, a capacidade exportadora e a atração de investimento no Alto Minho. Contudo, a associação alerta que os benefícios para o território português não estão garantidos e dependem de uma estratégia coordenada entre os dois lados da fronteira.

Promovida pela Xunta de Galicia, pela Autoridade Portuária de Vigo e pelo Consorcio da Zona Franca de Vigo, a PLISAN deverá ocupar cerca de 309 hectares. Segundo informação publicada pelo jornal O MINHO, o projeto já emprega mais de mil pessoas e poderá ter impactos relevantes na atividade empresarial, no emprego e na dinâmica económica do Vale do Minho.

Para a AEMinho, é essencial que Portugal esteja preparado para acompanhar este desenvolvimento. A associação defende uma agenda económica conjunta entre entidades públicas e empresariais portuguesas e galegas, com prioridades e investimentos definidos nas áreas das acessibilidades, ferrovia, logística e localização empresarial.

«A PLISAN não deve ser vista apenas como uma infraestrutura galega. É uma oportunidade para construir uma verdadeira plataforma económica transfronteiriça, capaz de articular indústria, logística, portos, ferrovia e mercados internacionais», afirma Ramiro Brito, presidente da AEMinho, defendendo que «Portugal tem de estar preparado para participar nesta dinâmica em condições competitivas».

Entre as prioridades apontadas estão a melhoria das ligações rodoviárias e ferroviárias entre o Alto Minho, a PLISAN e o Porto de Vigo, a disponibilização de solo industrial infraestruturado, a articulação entre plataformas logísticas e parques empresariais e a criação de mecanismos conjuntos de captação de investimento.

A associação quer ainda promover internacionalmente o eixo Alto Minho–Galiza como localização industrial e exportadora e apostar na qualificação dos trabalhadores para responder às necessidades das empresas dos dois lados da fronteira.

«O sucesso desta infraestrutura não deve ser medido apenas pela área ocupada ou pelo número de empresas instaladas na Galiza», sublinha Ramiro Brito. Para o responsável, importa avaliar também a capacidade de gerar «cadeias de valor, emprego qualificado, investimento e novas oportunidades empresariais em todo o território transfronteiriço».

A AEMinho considera, contudo, prematuro assumir que os efeitos da PLISAN serão automaticamente positivos para o Alto Minho, uma vez que o impacto dependerá da execução do projeto, das ligações ao território português e da procura empresarial.

Nesse sentido, a associação vai solicitar uma reunião à Comunidade Intermunicipal do Alto Minho para conhecer as prioridades de investimento e a estratégia definida para o território. Pretende também ouvir empresas industriais, exportadoras e de logística de Viana do Castelo, Monção e Valença. «A fronteira pode deixar de ser uma periferia e transformar-se numa vantagem competitiva. Para isso, precisamos de planeamento conjunto, capacidade de execução e uma voz empresarial presente desde o início», conclui.