A Câmara Municipal de Mesão Frio inaugurou uma rede de percursos pedestres composta por cinco pequenas rotas interligadas por uma grande rota, que convida a percorrer o concelho que se afirma como a “Porta do Douro”.
Implementado pela empresa de turismo de natureza PortugalNTN, o projeto representa um investimento de cerca de 500 mil euros, ao abrigo de uma candidatura ao programa “Transformar Turismo”, promovido pelo Turismo de Portugal.
Sob o mote “Mesão Frio: Uma Porta Aberta para o Douro”, esta candidatura teve como principal objetivo reforçar a atratividade turística do concelho e da Região Demarcada do Douro.

Com um trajeto linear de 38,6 km, a GR 69 – Grande Rota “Porta do Douro” estabelece a ligação com as cinco pequenas rotas, cada uma integrada numa das cinco freguesias do Município, promovendo uma experiência completa de descoberta do território.
As pequenas rotas circulares são a PR1 MSF – Trilho de Cidadelhe (5,5 km); PR2 MSF – Trilho de Oliveira (5,3 km); PR6 MSF-BAO – Trilho de Barqueiros (11,4 km); PR7 MSF-PRG – Trilho de Vila Marim (8,9 km) e PR8 MSF-BAO – Trilho de Santo André (13,3 km).
Os novos trilhos atravessam paisagens naturais e culturais do Douro, destacando a ligação ao rio, às tradições dos barqueiros e ao Barco Rabelo. Os percursos integram também áreas protegidas como o Sítio de Importância Comunitária Alvão/Marão e o perímetro florestal da Serra do Marão.
Para receber os turistas, o concelho mais pequeno do distrito de Vila Real conta com o Centro de Acolhimento ao Visitante do Douro. Subindo o rio, este é o primeiro concelho abrangido pela Denominação de Origem “Douro”. Na freguesia de Barqueiros está o primeiro marco de um conjunto de 335 que a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro instalou para delimitar a região.
De forma a acolher quem chega ao território, o novo equipamento conta com uma montra com um ecrã tátil acessível pelo exterior, que permite ter a informação turística disponível em permanência, uma mesa interativa no interior, e uma sala imersiva com óculos de realidade virtual.
Na apresentação à comunicação social, o presidente da Câmara Municipal, Paulo Silva, destacou a importância deste projeto para um concelho com cerca de 26 quilómetros quadrados e 3400 habitantes, dos quais aproximadamente 900 agricultores. Cerca de 90% das explorações agrícolas são dedicadas à vinha.

O que define concelho é a «cultura da vinha e do vinho» e é sobretudo isto que motiva os que visitam aquele território. O autarca referiu que há «parcelas de 100 metros, de 200 metros, de meio hectares», existindo menos de meia dúzia de grandes quintas. Os agricultores só conseguem manter a produção – explicou – porque «têm as suas profissões, e depois, quando podem, fazem o cultivo da sua vinha». «Há garrafas de vinho do Porto à venda por 4 que custam mais do que isso», alertou.
Uma porta aberta para o Douro
O Município de Mesão Frio quer afirmar-se como «a verdadeira “Porta do Douro”, com um projeto interpretativo que valoriza a cultura, a história e a identidade local», através de «rotas e experiências que permitam aos visitantes explorar o território de forma lúdica, recreativa e cultural».
Sem esquecer o lazer, o deleite e a fruição das paisagens e dos vinhos, a autarquia quer que os visitantes sejam capazes de percorrer as estradas principais – com destaque para a EN108, que liga o Porto a Peso da Régua –, as vias que levam às aldeias e os caminhos mais recônditos e rurais, interpretativamente.
Como adianta Domingos Pires, da PortugalNTN, «o turismo de natureza tem crescido e atingido valores muito relevantes». «Territórios com as caraterísticas de Mesão Frio têm um potencial extraordinário para, dentro do turismo da natureza, desenvolverem atividades relacionadas com o pedestrianismo», explica.
Nesta linha, o projeto desenvolvido no concelho visou criar «infraestruturas físicas que permitem desenvolver o pedestrianismo em segurança» e que estão dotadas da «capacidade de contribuir para um turismo cada vez mais sustentável». A preocupação com a sustentabilidade social, ambiental e económica esteve sempre presente.
«A expetativa é que estas infraestruturas tenham a capacidade de se transformar em produto turístico. A ideia é que os operadores possam vir para aqui e desenvolver produto, porque só dessa forma é que vai haver um verdadeiro contributo para a economia local», afirma.
A meta – acrescenta – é criar «um produto turístico compósito», que promova a natureza, os percursos, o vinho, a gastronomia, o alojamento e aumente a duração das estadias.
Para além da sinalética no terreno, há um folheto geral com a grande rota e folhetos individuais para cada das pequenas rotas, de forma que os visitantes possam pegar na informação que lhes interessa. Ao mesmo tempo, a aplicação móvel Feel Nature tem todo material para guiar os caminhantes em segurança.
Centro divulga Barco Rabelo

O Centro Interpretativo do Barco Rabelo (CIBar), localizado na antiga escola primária de Rede, em Vila Marim, assume-se como ponto de partida e chegada da Grande Rota, o percurso circular que liga todas as freguesias de Mesão Frio.
Integrado na Rede de Museus do Douro, o CIBar homenageia a ligação ao rio Douro, a partir da embarcação que era usada para transportar as pipas de Vinho do Porto. O espaço é também uma homenagem aos arrais (donos de barcos) e marinheiros que faziam este transporte.
Por seu turno, o Núcleo Interpretativo do Castro de Cidadelhe é outro dos pontos de divulgação do património local, instalado em Cidadelhe, junto ao Hotel Douro Scala. Se estiver encerrado, os visitantes devem dirigir-se à receção desta unidade hoteleira de cinco estrelas para visitar o espaço.

A autarquia está a trabalhar para a abrir o castro ao público. Este é um povoado da Idade do Ferro, com um sistema defensivo constituído por duas linhas de muralha aparelhadas em xisto.
Entre os atrativos do concelho estão os miradouros, designadamente de São Silvestre (530 metros de altitude) e o do Imaginário (145 metros de altitude).

Os trilhos também convidam a descobrir os produtores de vinho, entre os quais a Adega Cooperativa de Mesão Frio, primeira a ser criada no Douro, tendo celebrado 75 anos de atividade em 2025, com o lançamento de um vinho de edição especial; a Quinta Barqueiros D'Ouro, que também possui a vertente de alojamento; e a Quinta da Rede, que recentemente recebeu o troféu “Produtor” nos Prémios Grandes Escolhas.
Em matéria de gastronomia, a opção é vasta, como o X Douro, a Tasca do Zequinha, o Café Sul Africano ou o restaurante do Paço no Hotel Douro Scala. Entre as iguarias, destaque para a marrã, prato típico da Feira Anual de Santo André, que decorre de 28 de novembro a 8 de dezembro, e o Biscoito de Vila Marim, ideal para harmonizar com o Vinho do Porto.












