Portugal vive um período complexo com a demografia, jovens licenciados a abandonar o país, com custos elevados na sua formação ou com tendência para se fixarem nas grandes cidades, sem motivação para ocupar o interior, através de compensações e sendo portadores de novas tecnologias e visão para dar vida a regiões abandonadas, quase só habitadas por idosos, sem condições de apoio à sua vivência no interior.
É preciso os arcos governativos centrais e autárquicos debruçarem-se seriamente sobre as políticas planeadas e programadas com pragmatismo para reocuparem o interior, com imenso potencial turístico e capacidade para aí desenvolver atividades apetecíveis, privilegiando a ocupação por jovens locais ou oriundos de outras regiões, em cooperação com emigrantes com capacidade de adaptação e espírito de interligação com a comunidade nacional.
Era altura de voltar a desenvolver o interior, como aconteceu aquando do regresso dos portugueses das ex-colónias após o 25 de Abril, que trouxeram um grande incremento às regiões de interior, através do incentivo aos agricultores, aproveitando as potencialidades do país e ao mesmo tempo promovendo uma vida mais saudável, com tranquilidade e dando ênfase ao ambiente natural, com menos stress, e deixando uma vida fortemente afetada por vivências irreais, ideológicas ou influenciada pelas redes sociais, originando situações gravosas para a saúde mental, com distorção do humanismo, caminhando para a violência e criminalidade.
Infelizmente, os governos têm abandonado o interior, fechando centros de saúde, correios e agências bancárias, o que não devia ser permitido, principalmente a CGD, pois não sendo renovada a ocupação populacional, os habitantes do interior na atualidade e na maioria não tem preparação para dominar as novas tecnologias.
Se o referendo efetuado em 1998 tivesse sido aprovado, Portugal hoje era um país diferente, como a Suíça ou outros países da Europa, pois teve imensas possibilidades de capacitação económica para o seu desenvolvimento, aproveitando parcialmente os proveitos dos países lusófonos, como aconteceu em certos países, “mas nada trouxemos e tudo deixamos”.
É fundamental pensar seriamente na regionalização, mediante uma discussão pública assertiva e honesta, com planeamento e desenvolvimento territorial, com governos regionais legitimados, pois é fundamental para dar celeridade às decisões, assim como dentro da coesão territorial, vincada às situações locais.
Por outro lado, era fundamental dar soluções para diminuir o consumo dos combustíveis fósseis, reduzindo consideravelmente a emissão de milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, também como consequência dos atuais conflitos armados.
Era fundamental a regionalização, para dar solução aos problemas do interior do país, havendo deputados na Assembleia da República a residir no interior, não os centralizando nas grandes cidades e regiões mais populosas, e com salários e condições adequadas ao exercício da sua função. Por outro lado, deveria ser revista a lei eleitoral, não se baseando apenas no número de eleitores de cada círculo eleitoral. Os deputados, trabalhando em exclusividade, seriam o cerne da defesa do interior, atenuando o caminho exagerado do centralismo com as consequências advenientes para o futuro do país, que caminha progressivamente para a regressão da população e das adversidades daí resultantes, face à crise da natalidade e da desumanização da família, fundamental para transmitir os princípios e valores, e ser fulcro de um mundo humanista, embora dentro da evolução tecnológica e da IA, mas vivida com regras não populistas e desfasadas do mundo real, sem princípios democráticos e caminhando para a auto destruição.