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Um amigo é sempre um amigo!

 


 

 


 

O meu amigo Ricardo Gonçalves, ex-deputado da nação e ex, porque foi mais um dos escorraçados do partido onde milita, está mais uma vez fora da órbita da ideologia neo-socialista. (Como deputado ainda tinha muito para dar ao partido). Devido à sua lealdade, não merece o tratamento de rejeição a que tem sido sujeito ao longo dos tempos. É visto como militante da “direita mais à direita” do Rato. Porém, é um militante sempre disponível e muito activo na formação de listas opositoras ao sistema dos apparatchik’s que têm dominado a linha do poder.


 

1 - O Ricardo é um excelente camarada e muito boa pessoa. É uma pessoa séria e tranquila. Como político é de admirar a sua postura e a sua irreverência em querer mudar o partido por dentro. Não tem conseguido e nunca irá levar o seu “sonho” a bom porto. O partido, o seu partido, cristalizou em redor de uma política frentista que se esgotou e enfermou por tempo indeterminado com a criação anómala e oportunista da Geringonça. O Ricardo era um anti-geringoncista convicto e politicamente consciente. Não dava tréguas aos arrivistas, aquela camada ambiciosa que se deslumbrou com as benesses do poder rapinado, quer fosse nos contactos pessoais, quer fosse nos congressos do partido. Eu vi na televisão o Ricardo a “molestar” com verdades de dinâmica política a mesa do Congresso no tempo em que o famoso Carlos César era o presidente da mesa. Não o queriam deixar falar, porque as verdades eram duras e cruas para aqueles ouvidos tangidos pelo sectarismo.


 

2 - O ex-deputado era, de facto, uma peça fora da engrenagem das fantasias e dos oportunismos que avançavam a todo o vapor e sem freio. A colonização de todos os serviços públicos e instituições do Estado era feita às claras. Não havia CRESAP que a sustivesse. E o Ricardo manifestava-se contra esse abuso, marcado por um domínio avassalador da boyada emergente. Contudo, e no plano da participação, onde ele vislumbrasse umas frechas para levar o seu partido ao poder, lá estava ele na linha da frente e no apoio, creio, desinteressado ao candidato. Apoiou sem reservas e de forma inequívoca António Braga nas autárquicas de Braga, mesmo sabendo que este militante socrático tinha escassas hipóteses de vencer, porque era uma carta de um baralho demasiado viciado. Mas, apoiou-o e tentou angariar “ovos em todos os cestos” mesmo daqueles que se reviam na candidatura de João Rodrigues. 


 

3 - O Ricardo é um político das causas racionais. Defensor intrépido da pluralidade. Não entra nas facilidades das demagogias absurdas, nem das fantasias folclóricas, típicas daquelas agremiações e de pessoas que não têm noção da realpolítik. Já o vi a “espumar” contra um amigo comum por este defender tretas comunistas, acusando o grande capital como causador do estado deprimente das sociedades e na fundamentação da clareza e justeza das políticas desenvolvidas em Cuba e noutros países de matriz vermelha. É um anti-comunista primário, como ele se intitula com assertividade e convicção.


 

4 - O Ricardo gosta de um bom convívio. É um bom garfo e não dispensa uma garrafinha de um alentejano de boa qualidade. Gosta também de uma boa discussão. E quanto mais quente melhor. A política corre-lhe no sangue e se expande, naturalmente, por todos os capilares que lhe inundam a sua sensibilidade política. Homem de palavra fácil e com um humor refinado. Qualquer tema serve para lançar com mordacidade as suas críticas e opiniões. Até os excessos têm piada. Dá gosto vê-lo no uso da palavra. É um animador nato. Sempre bonacheirão, embora saiba o palco onde se apresenta, mesmo nas alturas em que o deus Baco parece o aturdir.


 


 

Nota do articulista: Desejo a todos os leitores do Diário do Minho uma Páscoa Feliz e que a Paz chegue a cada um de nós e chegue também a todas as famílias deste mundo de forma intensa. Paz que anda às avessas dos desígnios de Deus em mentes completamente desviadas.


 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

5 abril 2026