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Alta tensão

Sendo o futebol uma grande paixão, naturalmente que movimenta multidões e move corações. Por tudo isso, e em vésperas da realização de um SL Benfica / FC Porto e SC Braga / SC Portugal, das maiores colectividades deste país, naturalmente que as emoções vão aumentando de acordo com o aproximar dos jogos, não decisivos, mas muito importantes para o desfecho final do campeonato. Os intervenientes procuram esgrimir os seus argumentos na expectativa de alcançarem a vitória, sabendo nós da importância que esse êxito acarretará para qualquer uma das coletividades. Bem sabemos, nesta altura do campeonato, que do resultado destes jogos nada se decidirá, em termos definitivos, mas que é muito importante não temos dúvidas!.. Com tanto para se jogar, as contas ainda são, por agora, de outro rosário.
Por tudo isto é que em vésperas dos grandes embates os dirigentes aparecem com declarações bombásticas e acusações mútuas na tentativa de desestabilizar o adversário, promovendo autenticas peixeiradas e criando ambientes hostis, que em nada contribuem para e valorização social do desporto e do futebol em particular. Tudo isto vem a propósito da troca de mimos entre os principais responsáveis destas coletividades, abrindo fogo sobre o rival, e que ao atribuir-lhe tão baixo nível, me recuso a aflorá-las, mas que devem ser objeto de profunda reflexão, reprovando estas atitudes, com veemência, na expetativa de vermos os valores do desporto consolidarem-se em detrimento dos maus exemplos dados por quem tinha obrigação de ministrar os deveres cívicos. Então que dizer das cenas  protagonizadas por Frederico Varandas e André Vilas Boas, na promoção do conflito e do ódio no futebol português!
Sendo o futebol um espectáculo de massas, o país não merecia assistir a tudo isto mas antes a uma demonstração de fair play e respeito mútuo por todos os adversários, justificativo de quanto de belo um espetáculo desportivo pode proporcionar!
E numa altura em que o Presidente da FP Futebol, Pedro Proença, apresentou o Plano Estratégico para a próxima década, no sentido de sermos mais competentes e termos melhores espetáculos desportivos, surge esta peixeirada entre os dirigentes dos principais clubes de futebol.
As recentes trocas de acusações entre dirigentes do SC Portugal e do FC Porto são autênticos “tiros nos pés”. “É claro que todos os desportistas ficam preocupados com estas situações, que não beneficiam ninguém!
Dirigentes das mais diversas instituições já pediram civismo, elevação e ‘fair-play’, nos próximos dérbis e espero sinceramente que decorram com o mesmo grau de civismo e elevação que o espetáculo desportivo assim o justifica.
Por tudo quanto expressei aqui, creio que estas grandiosas instituições têm responsabilidades acrescidas, pois como devem calcular tem grande impacto junto de um numeroso público-alvo, tendo por tal facto responsabilidades acrescidas na educação cívica da população e um contributo valiosíssimo para uma melhor cidadania.  
Segundo Garcia (2002), “o homem deve ser entendido como um fim e nunca como um meio e o desporto deve estar ao serviço deste e nunca o contrário”. Completa dizendo, “que uma teoria do desporto deve levar em consideração a diversidade humana e qualquer tentativa de compreensão deve passar por uma reflexão”. Assim o espero!
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Luís Covas

Luís Covas

6 março 2026