A Sé Catedral de Braga viveu, esta noite, a Vigília Pascal, a celebração-chave da fé cristã. Naquela que é a «mãe de todas as Vigílias», carregada de simbolismo, o Arcebispo Metropolita de Braga alertou para o perigo da estagnação da vivência cristã» e congratulou os oito catecúmenos e uma criança que se batizaram.
«Páscoa é passagem, por isso ser discípulo de Cristo é ser alguém a caminho. A fé cristã não é para pessoas que preferem parar e ficar estagnadas na vida, não é para pessoas que preferem as meias medidas. Para sermos testemunhas do Ressuscitado temos de dar tudo, tal como Ele se dá todo a cada um de nós», alertou D. José Cordeiro, acrescentando: «por isso, acreditar na Ressurreição de Cristo é acreditar que a vida é vida quando nos damos uns aos outros, imitando o Mestre. Acreditar na ressurreição é ir pelo mundo, anunciando Cristo vivo, procurando que nele haja mais justiça, mais paz, mais harmonia com a criação, mais fraternidade, mais solidariedade, rumo a uma nova terra e a novos céus». Como é habitual, a soleníssima cerimónia começou com D. José Cordeiro a “fazer” o lume novo no braseiro, à entrada da Sé Catedral. Seguiu-se mais o acender do círio pascal. Trata-se de uma celebração em que o fogo, a água e a luz são os elementos centrais, seja pelo batismo e por tudo o que representa na fé cristã; seja pela Luz, símbolo festivo da Ressurreição. Recorde-se que cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia Eucarística.
Depois de o benzer, o Arcebispo de Braga inscreveu a primeira e a última letra do alfabeto grego (alfa e ómega) no círio pascal e inseriu cinco grãos de incenso, em memória das cinco chagas da crucifixão de Cristo.
O glória foi cantado acompanhado de toque festivo de sinos. Também o Aleluia, que não era cantado há 40 dias, foi efusivamente cantado.
Na sua homilia, D. José Cordeiro deixou uma questão para reflexão. «Passados mais de dois mil anos que sentido faz continuar a anunciar a ressurreição? Porque é que hoje Cristo continua a tocar corações, como o das oitos pessoas que hoje se tornaram seus discípulos pelo batismo?, questionou, para depois responder: «É assim porque o Cristianismo não é um conjunto de regras que cumprimos para nos dizermos cristãos. Antes de tudo e acima de tudo, o Cristianismo é um encontro pessoal e vital de Cristo com cada ser humano. E nos dias de hoje há pessoas que se deixam tocar por Cristo, e a partir desse momento se tornam missionários de Cristo, não descansando enquanto não partilharem com os outros o tesouro que encontraram», congratulou-se.
E o prelado bracarense deixou uma nova questão: «Que implicações concretas tem na vida de cada um de nós dizer que Cristo ressuscitou e que é a resposta para os dilemas da condição humana?» «Não o podemos procurar entre os que estão mortos. Para encontrarmos Deus temos de O procurar entre os vivos, isto é, na vida de cada dia, na vida que habita cada um de nós».
Entretanto, a Igreja de Braga e a Igreja Católica em geral acolheram ontem, na Vigília Pascal, o batismo de oito jovens e adultos e um bebé. Uma das curiosidades reside no facto de o bebé ser filho de um adulto, convertido do judaísmo, que também se batizou e casou. Um casamento testemunhado e aplaudido por todos os presentes na Catedral de Braga. Assim, pelo segundo ano consecutivo, a Vigília Passcal testemunhou um casamento.
Para o noivo, a cerimónia representou a receção dos sacramentos de iniciação cristã. Ou seja, Batismo, Eucaristia e Confirmação, além do matrimónio.
Tratou-se, por isso, de mais um motivo de alegria, na noite festiva da Ressurreição.
No final da missa, seguiu-se a Procissão da Ressurreição, própria do Rito Bracarense, pelas naves da Catedral.
A mensagem final, para todos os cristãos, que ontem renovaram os votos do batismo, não deixem a sua fé estagnar-se.