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«Explosão de esperança tem protagonistas», realça o cónego José Paulo Abreu

«Explosão de esperança tem protagonistas», realça o cónego José Paulo Abreu
Fotografia DR

Agência Ecclesia

Agência noticiosa católica

Publicado em 04 de abril de 2026, às 15:35

Sacerdote aponta sinais de «ressurreição» protagonizados por cidadãos no rescaldo da tempestade Kristin e pede que cadeia de solidariedade tem de continuar

O cónego José Paulo Abreu convida as pessoas a acreditar no “terceiro dia” e nos “protagonistas da explosão de esperança” que a ressurreição de Jesus apresenta.

“Há muita gente abatida, e eu percebo, há muita gente nos hospitais, há muita gente na oncologia, há muita gente com as contas maiores e com a vida destroçada. Estamos a falar de vítimas ainda agora, de inundações (provocadas pela tempestade Kristin, ndr) – eu nem quero imaginar o que é uma vida toda a pagar uma casa e vir uma onda de água e levar isto tudo. Mas existe o terceiro dia”, sublinha à Agência ECCLESIA.

O programa ECCLESIA, com emissão ao sábado na Antena 1, esteve desde o início da Quaresma, a conhecer as tradições que a Arquidiocese de Braga organiza nas celebrações rumo à Páscoa, num caminho feito com o cónego José Paulo Abreu.

Professor de Teologia e responsável pelos cónegos da Sé de Braga aponta que a “grande mensagem” no percurso de 40 dias, iniciado na Quarta-feira de cinzas, este ano a 18 de fevereiro, centra-se “na pedra rolada, nas ligaduras no chão e no túmulo vazio”.

“Essa explosão da esperança tem protagonistas, tem quem ajuda a acontecer. E temos que ser nós também, nós todos. Estamos a falar dos voluntários, estamos a falar de toda a gente que tem coração grande e que se predispõe a ajudar, de associações, de organismos, de entidades públicas. Neste terceiro dia, temos todos que o construir também”, indica.

Sobre as celebrações que marcam o Tríduo Pascal, o responsável explica que a vigília, na noite de Sábado Santo, é a “mãe de todas as celebrações” e culminar dos 40 dias da Quaresma.

“Aqui em Braga temos uma coisa que é muito gira – o Tricórnio. Trata-se de um masto que tem em cima três velas, que se acende e apaga, acende e apaga, para dizer que nós morremos e revivemos; pecamos, mas vamos ao caminho outra vez; definhamos, mas voltamos a ressurgir”, explica.

“Não podemos preparar uma festa com toda a pompa e circunstância e deixar que imploda quando chegou o momento de a fazer. Como é óbvio, tudo o que estivemos a preparar desde a Quarta-feira de cinzas, a Quaresma todo e a Semana Maior é para culminar nesta Vigília Pascal, na celebração da Ressurreição de Jesus. E é o que fazemos essencialmente na Vigília Pascal. O despontar da luz outra vez, a festa, as campainhas, o próprio batizado que fala de vida nova, que fala de ressurgir, que fala de reconciliar-se com Deus, que fala de libertar-se”, regista.

A arquidiocese de Braga guarda também a tradição do Compasso, que leva a cruz de casa em casa a anunciar a ressurreição.

“Costumo fazer a visita Pascal e dá-me uma alegria, eu gosto imenso. Há terras onde acontecem coisas muito giras: por exemplo, nas mesas das casas mais abastadas, pede-se licença para colher alguma coisa para deixar nas casas mais pobres. Acho uma delícia”, aponta.

O cónego José Paulo Abreu regista que a tradição do Compasso está a ser recuperada, e que mesmo na cidade “há muitas casas com a porta aberta para receber a cruz”.

“De casa em casa, uma equipa que leva a cruz a beijar, a campainha para anunciar, a água benta para benzer e uma pagela com uma oração para se rezar em cada lugar. É uma festa: espera-se pelo padre, recordam-se os amigos e convive-se”, dá conta.

A conversa com o cónego José Paulo Abreu pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, com emissão na Antena 1, no sábado às 06h00.