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Arcebispo de Braga pede orações pela paz no Médio Oriente

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Fotografia Jorge Oliveira

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 29 de março de 2026, às 16:02

D. José Cordeiro presidiu, na Catedral, à Missa de Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

O Arcebispo Metropolita de Braga apelou à oração pela paz no mundo, na missa de Domingo de Ramos, a que presidiu na Sé Primacial.

«Rezemos pela paz no mundo, no Médio Oriente e, especialmente, na Terra Santa, chamada de “quinto evangelho”, para a qual se orienta teológica e espiritualmente o olhar e o sentir da Igreja», exortou D. José Cordeiro, depois de cumprido, à entrada da Sé, o rito bracarense que assinalou simbolicamente a “Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém”, em que o prelado lançou folhas de oliveira - símbolo da paz - e bateu três vezes na porta da Sé com a cruz de Cristo.

Segundo o Arcebispo, «só a paz serve o caminho de Páscoa», que os cristãos estão a viver com especial entusiasmo até 2023, ano em que a Igreja celebra os dois mil anos da Ressurreição do Senhor. 

A Arquidiocese de Braga iniciou hoje as celebrações da Semana Santa na cidade com a tradicional bênção dos Ramos na igreja de S. Paulo, seguida da Missa do Domingo de Ramos na Sé Primacial.

Na homilia, o prelado destacou o significado espiritual deste tempo litúrgico, convidando os fiéis a viverem a Semana Maior como um percurso de conversão, esperança e compromisso com o próximo.

Refletindo sobre as leituras do dia, assinalou a dualidade da multidão, na entrada de Jesus na Cidade Santa, que primeiro aclamou Jesus como Messias, cantando “Hossana ao filho de David!”, levando ramos nas mãos e colocando capas no caminho que Jesus percorria montado num jumentinho, e, dias depois, pediu a sua condenação à morte, influenciada e manipulada pelos chefes do povo.

Uma atitude que, alertou, continua presente na sociedade atual, marcada pela «polarização» e julgamentos rápidos, muitas vezes amplificados pelas redes sociais.

«Nos nossos dias ainda nos comportamos à semelhança da multidão das passagens evangélicas, e as redes sociais digitais vieram acentuar ainda mais esse comportamento num tempo de polarizações e roturas. Num dia somos capazes de exaltar uma pessoa, elevá-la ao estatuto de estrela, elogiando e querendo imitar a sua vida, o seu sucesso. Contudo, ao mínimo erro, à mínima falha ou pelo simples facto de essa pessoa não defender a mesma ideia de que nós, somos rápidos a condenar e a matar, não com armas, mas com palavras e gestos, e mesmo que inocente a reputação dessa pessoa dificilmente se recupera», assinalou.

Segundo D. José, até na vida espiritual se corre o risco de viver «esta incoerência», já objeto de alerta num escrito do século XIV de um autor anómimo.

Neste contexto, o responsável máximo da Igreja bracarense desafiou os fiéis à coerência e perseverança na fé, «ao lado de Cristo», e  a ajudarem a «aliviar o sofrimento da humanidade», recordando principalmente os que vivem a fome, a guerra, a dor, o luto, a violência, a escravidão. 

«Esta realidade não é apenas das notícias, e pode estar a acontecer mesmo ao lado da nossa casa», alertou o Arcebispo de Braga , pedindo uma atitude solidária, ajudando a «carregar a cruz» dos mais frágeis.

Fiéis enchem igreja de São Paulo
 na tradicional bênção dos ramos

A igreja de São Paulo (Seminário) esteve repleta para a tradicional bênção dos ramos, um momento que antecede a procissão até à Sé Primaz, e a recriação da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, na porta principal da Catedral, segundo o rito bracarense.

Cerca de 80 escuteiros do Agrupamento n.º1 da Sé colaboraram na organização, assegurando a distribuição dos ramos oferecidos aos fiéis e o ordenamento do cortejo religioso, presidido pelo Arcebispo Metropolita de Braga.

Antes da bênção dos ramos, com água benta evocativa do Baptismo, D. José Cordeiro destacou o significado deste tempo litúrgico iniciado na Quarta-feira de Cinzas, sublinhando o caminho de preparação dos fiéis. 

«Estamos aqui reunidos para darmos início, em união com toda a Igreja, à celebração do Mistério Pascal do Senhor, isto é, da Sua Paixão e Ressurreição. Foi para realizar este mistério da Sua Morte e Ressurreição que Jesus Cristo entrou na sua cidade de Jerusalém», afirmou.

De seguida, os fiéis, com ramos de oliveira na mão, tomaram parte na procissão de aclamação da cruz até à Sé, onde diante da porta principal foi recordada a entrada triunfal de Jesus na Cidade Santa, um rito antigo da igreja de Braga.

Na homilia da missa de Domingo de Ramos, D. José Cordeiro lembrou que a Semana Santa tem muitos rituais e ritos que expressam a fé, mas nem todos os ritos são sacramentos. Por isso, referiu,«precisamos dos ritos sacramentais de Páscoa para viver em comunidade e na pertença a Cristo e à Igreja».

D. José Cordeiro presidiu às celebrações na igreja de São Paulo e na Sé acompanhado de cónegos, sacerdotes, diáconos e seminaristas, sonelizadas por um coro misto que  também participou em partes na narração da paixão do Senhor, uma novidade na missa de Domingo de Ramos. Outra novidade foi a utilização das tribunas laterais da nave central da Sé para as leituras evengélicas.

O Domingo de Ramos assinala o fim do tempo Quaresma e o início da Semana Maior, período central do calendário cristãos, em que os fiéis são convidados à conversão e renovação espiritual, preparando-se para celebrar a Páscoa do Senhor.