O reitor da Universidade do Minho (UMinho) quer afirmar a cultura como um pilar estratégico da academia.
Pedro Arezes falava esta tarde, no final da cerimónia de tomada de posse dos membros do plenário do Conselho Cultural da UMinho, que decorreu no salão nobre da reitoria.
«Que este seja um mandato profícuo, dinâmico e permita afirmar a cultura como um pilar estratégico da nossa missão na UMinho», declarou, dirigindo-se aos membros recém-empossados, que incluem os responsáveis das unidades culturais e dez personalidades externas à universidade com intervenção relevante no domínio da cultura da região, um grupo composto por Aida Alves (diretora da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva); Álvaro Santos (diretor da Casa das Artes de Famalicão); Fátima Pereira (diretora Museu dos Biscainhos); João Antero Ferreira (presidente da Sociedade Martins Sarmento e da Casa de Sarmento); Luís Fernandes (diretor artístico do Faz Cultura); Manuel Sarmento (presidente da ASPA); Maria José Sousa (diretora do Museu D. Diogo de Sousa); Rui Torrinha (direção Artística CCVF e Artes Performativas d’A Oficina); Rui Vítor Costa (presidente da associação Muralha); e Sun Lam (Instituto Confúcio).
Esta cerimónia decorreu depois da entrega da 34.ª edição do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea, que distingiu André Costa Pina pela obra “Os primeiros comunistas portugueses: A estruturação do Partido Comunista Português (1921-1943)” e atribuiu uma menção honrosa a André Ribeiro Fernandes pela dissertação “O Sindicalismo Anticolonial em Angola, o Império Português e a Questão da Representação Internacional (1960-1973)”.
O reitor referiu que este prémio mostra a «vitalidade cultural e científica» da UMinho. «A entrega do prémio constitui não apenas um momento de distinção académica, mas sobretudo uma afirmação clara do compromisso da nossa universidade com o pensamento crítico, com a investigação rigorosa e com a valorização das Ciências Sociais e Humanas», declarou.
Para este responsável, evocar o professor Victor de Sá «é recordar uma figura maior da vida académica e cívica portuguesa. O seu percurso permanece como referência exigente, marcada pela integridade intelectual, pela defesa intransigente da liberdade e por uma permanente atenção às novas gerações de investigadores. É precisamente esse legado que este prémio continua a projetar, ano após ano, reforçando a sua relevância no panorama científico nacional», disse.
Por seu turno, a presidente do Conselho Cultural, Manuela Ivone Cunha, sublinhou que este é o «mais prestigiado prémio de história a nível nacional».
A académica argumentou que «parece mais importante do que nunca» evocar Victor de Sá como «exemplo cívico e académico», destacando «o rigor científico e a retidão pessoal, o espírito de abertura à inovação e à criatividade de jovens investidores, a coragem e a tenacidade na defesa do pensamento crítico, da liberdade e da democracia».
Revelou ainda que Victor Louro doou um conjunto de cartas de prisão, escritas entre 1959 e 1962, ao Arquivo Distrital de Braga.
Já a presidente do júri, Alexandra Esteves, defendeu a necessidade «de preservar o lugar da História na atualidade», em tempos «desafiantes», «marcados pelo primado do número, da tecnologia e dos saberes tecnocráticos que privilegiam a eficiência, a racionalidade experimental ou uma aparente neutralidade».
«No mundo do imediatismo, do achismo e de muitos outros ismos, do conhecimento instantâneo e das soluções fáceis, das certezas frágeis e das verdades voláteis, é indispensável dar lugar à História, que nos traz a complexidade, a dúvida e a circunstância de nos tornarmos insatisfeitos perante a falta de inquietação daquilo que é o hoje ou que será o amanhã», vincou.
Em seu entender, as obras apresentadas a concurso – quatro dissertações de mestrado e quatro teses de doutoramento – são «a prova da vitalidade da História Contemporânea nas universidades portuguesas, não só no âmbito da lecionação, mas sobretudo no domínio da investigação».
O trabalho de André Costa Pina incide desde a receção da Revolução Russa até ao III Congresso do PCP (1943), recorrendo a um estudo coletivo das biografias de 1671 militantes no país para mostrar que aquele espaço foi marcado por ambivalências, conflitos e múltiplas interpretações do comunismo. O autor é investigador colaborador do Instituto de Sociologia da UP e cruza sociologia, história e ciência política, sendo especializado em prosopografia.
Já a pesquisa de André Ribeiro Fernandes mostrou que sindicatos angolanos como UNTA e LGTA rejeitaram o colonialismo e buscaram reconhecimento internacional, enquanto promoviam a autodeterminação na organização laboral, numa fase de repressão, rivalidades nacionalistas e reformas no império português tardio. O autor é de Braga, licenciado em Relações Internacionais pela UMinho e bolseiro FCT do doutoramento em História Contemporânea pela Universidade de Coimbra.
Este Prémio foi instituído há 34 anos, com base numa doação à UMinho pelo professor e historiador Victor de Sá (1921-2004), sendo uma iniciativa reconhecida como de manifesto interesse cultural pela Secretaria de Estado da Cultura e apoiada também por mecenas públicos e privados. Em edições anteriores foram laureados vários investigadores que se tornaram uma referência, como Fernanda Rollo,José Neves, Miguel Cardina e Cláudia Ninhos.






