twitter

Touradas, melões e o inesperado recorde de Giorgia

Evidências que o público parece não perceber). Dizia sugestivamente o dr. Ventura, numa entrevista recente, que, “se parece um gato, anda como um gato, mia como um gato, é óbvio que é um gato”. Porém, o Povo português, pouco vocacionado (em geral) para assuntos de Lógica e de Matemática, tem grandes dificuldades em reconhecer o poder de certos silogismos; quanto mais em dar valor a simples mas sólidas “pistas probabilísticas”.

Se a isto juntarmos, a baixa literacia em matéria de Geografia, História e Antropologia…). Forte exemplo disto é a suposta paixão com que por cá se defende a causa de uma Ucrânia independente. Opinião tida por “indiscutível”; mas que é basicamente apenas, consequência da propaganda asfixiante com que desde o 1.º segundo da invasão russa de Fev.º de 2022, quase todos os órgãos de comunicação do Ocidente têm opinado sobre essa guerra (dita uma “spietziálnaia, voiénskaia opierátzia”, pelos moscovitas…). Ocidente esse, que tem sido tão “democrático” ao ponto de nunca transmitir, de “cancelar”, os 2 ou 3 canais russos da TV por cabo. Ou de em canais como a SIC, CNN ou NOW, organizar sistematicamente debates em que os convidados são 2 ou 3 pro-Kieve e o outro é neutro (ou, às vezes, pro-Moscovo).

A desvalorizada evidência da relação entre “proibição de touradas” e “fraca qualidade dos melões que se consomem no Norte”). Tomara eu estar enganado, mas… De há 6 ou 7 anos a esta parte (ou mais), vem sendo cada vez mais raro encontrarem-se no Noroeste do país, quer em restaurantes, frutarias ou supermercados, os chamados “melões de Almeirim” (os tais da casca branca) mas que sejam de superior qualidade e já maduros. Para mim (que tal como Scolari, o famoso riograndense, confesso desde já que “sou burro”), há uma ligação entre a intolerância anti-tourina; e a fraca qualidade dos melões que o Ribatejo, como vingança, exporta para as regiões onde essa intolerância abunda. A lógica dos insultados taganos deve ser: “então eles percebem tanto de touradas? vejamos então se percebem igualmente de melões”. É que, ser anti-taurino ainda se compreende se a pessoa for vegetariana. Caso contrário, ela farta-se de comer animais que são abatidos aos milhões (os porcos, vacas, galinhas, perus, sardinhas, bacalhaus, pescadas, atuns, polvos, chocos, caracóis…). E tantos deles, na infância até (leitões, vitelas, frangos, cabritos, anhos). Ora o touro de lide leva 3 ou 4 anos de “vida regalada” nos pastos, no meio de sobreiros e azinheiras; para no último dia da sua vida, a sua combatividade natural ser posta à prova numa “batalha”, da qual desconhece totalmente o desfecho… Daí que, o verão de 2026 já vai quase no fim e, para mim foi mais uma vez um ano de quase completo e auto-imposto “jejum melónico”…

Os melões de Meloni). Ficou célebre (embora hoje parecem querer apagar essa cena), o gesto de Giorgia Meloni pegar em 2 pequenos melões brancos e abaná-los à frente dos seus próprios seios. Foi uma brincadeira, pouco decente para uma candidata a 1.º ministro, e que ocorreu na campanha para as eleições italianas de 2022. Na altura, eu ainda simpatizava com a bonita e pequena líder, de olhos cinzentos (genes de lombardos ou ostrogodos ou hérulos…). Porém, Giorgia, logo a seguir, distanciou-se do até então consensual líder nacionalista da Itália, Mateo Salvini, apoiante moderado da causa russa. E, seguidora do “2.º Trump” (o actual, o chantageado, o imprevisível, o perigoso), passou a ser também uma indefectível apoiante do “iscariótico” Wolodímir; e do louco Netanyahu. Os “Fratelli” são uma Direita duvidosa, divisiva, contra a Legha (de Salvini); contra Marine, contra Orbán, contra Pútine, contra Farage. Influenciando pela negativa, quer Ventura, quer Abascal.

A carreira e o recorde de Giorgia). Um pequeno resumo. Nascida em Roma (1977). Filha de uma siciliana (Ana Paratore, novelista). E do esquerdista Francesco M., fiscalista, que abandonou a família logo em 78, indo viver para as Canárias onde em 1995 foi condenado a 9 anos, por tráfico de droga. Este, era filho de Nino M., director de rádio na Sardenha, esposo da actriz Zoe Incrocci, lombarda. Giorgia foi, com a mãe, viver para o bairro operário de Garbatella (Roma). Aos 15 anos aderiu à Juventude dos neo-fascistas do MSI, de Giorgio Almirante, continuado em 95 pela Allianza Nazionale; e foi eleita conselheira da região de Roma, de 98 a 2002. Foi ministra da Juventude do moderado Berlusconi (2008-11). Co-fundadora dos Fratelli (2012) e sua presidente em 2014. Não tem formação universitária, é cristã, foi ama e “bar tender” na juventude. Eleita 1.ª ministra em 22, bateu agora o recorde de duração no cargo, que era de Berlusconi. Apoiante de Zelenski e Netanyahu, a coisa deve estar para durar. “Assim também eu”, como diz o anúncio de César Mourão…

Eduardo Tomás Alves

Eduardo Tomás Alves

22 setembro 2026