Um ministro, pelos vistos, “insubstituível”). Enquanto largas partes do país estão a arder, o ministro da respectiva “pasta” anda (compreensivelmente) ocupadíssimo em reabilitar o seu papel, em casos esquisitíssimos, quiçá graves, do seu passado recente. Especialmente aquele que, já ouvi com piada qualificar, como o da “abominável galera do dr. Neves”. Mas não é disso que gostava de tratar agora aqui.
Uma nova ameaça à Natureza, os “latifúndios” de painéis fotovoltaicos, indispensáveis ao funcionamento da I. A.). O 1º passo é, às vezes, a destruição pelo fogo, da paisagem, a perda da memória da existência de extensas zonas naturais e da essencial Biodiversidade a elas associada. E nem os Parques Naturais eles respeitam; vejam p. ex. os sucessivos incêndios nos íngremes barrancos do Douro, prolongados agora pelos do lado de Zamora. É que, a energia necessária ao funcionamento da (completamente desnecessária) I. A., é tão grande, que tudo porá em causa. E dará lugar a longas batalhas ideológicas e políticas. O Futuro é agora uma séria ameaça. Se certa região, antes de forte valor natural e paisagístico, estiver “reduzida a torresmos”, mais fácil será de transacionar para parques eólicos ou fotovoltaicos…
O precioso norte de Trás-os-Montes). Estou a escrever no início de Agosto de 26. E há um interminável fogo “rural” (como agora alguns dizem), iniciado em Ervões (a norte de Valpaços) e que se tem, sem freio, expandido para leste, descendo do planalto para os vales acidentados dos rios Rabaçal, e depois do do Tuela (que corre paralelo com aquele, com o qual se une na cidade de Mirandela). Incêndio esse que já dura há quase uma semana. E que fustigou Vale de Casas, Sª Valha, Gorgoço, Barreiros (em Valpaços); e Vale de Telhas, Bouça e S. Pedro Velho (no norte de Mirandela); e que já alastrou a áreas do oeste de Macedo de Cavaleiros e de Vinhais. Ora todas estas zonas são preciosas, são do que Portugal melhor tem. A agricultura (vinha, olival, amendoal) ainda se vai aguentando por lá; mas há (havia…) vastas áreas naturais de pinhais com sobreiros, no meio de pedras graníticas em afloramentos às vezes gigantescos. Há aves de rapina em abundância (gaviões, tartaranhões, águias de asa redonda); há os coloridíssimos e migratórios abelharucos e os papa-figos; há furões, doninhas, raposas, morcegos… E há os desfiladeiros monumentais do Rabaçal e especialmente do Tuela. E a N E, os quilómetros de cristas xistosas daquilo a que se chama “o Cerro”; que desde antes de Curopos e S. Januário, na estrada para Vinhais, lembra uma armada naval de guerra em aproximação.
Lista dos principais fogos, até Agosto, em 2026). Alguns têm devastado áreas ecologicamente bem importantes, sobretudo nas provs. espanholas de Madrid, Guadalajara, Toledo, Ávila, Zamora, Almeria e Castellón. Ou na Grécia e no sul de França, devastando parte dos intermináveis pinhais das Landes e da Gironda (quase até Bordéus…). Em Portugal, os maiores terão sido os de Vouzela-Tondela-serra do Caramulo (15 mil hectares); o de Mogadouro; o que começou na aldeola de Bendada (Sabugal); o de Miranda e Vimioso (contíguo, no P. N. do Douro Internacional, ao incêndio da belíssima e fronteiriça Fermoselle, terra favorita da rainha D. Urraca, irmã da mãe do nosso 1º rei); e o do oriente do distrito da Guarda (que assolou, por dias, as zonas de Rochoso, Cerdeira, Pínzio, até bem dentro do concelho de Almeida). Mas por certo, a coisa não fica por aqui; sobretudo com o dr. Trindade Neves também ocupado com os seus casos pessoais.
O calor e o vento apenas ajudam a propagação, mas não são eles que incendeiam os matos). Por isso, por haver imensos fogos-postos, há que triplicar a duração das penas; e atenuá-las fortemente em caso de delação premiada (pelo infractor, claro); para que se perceba quem são os mandantes e quais são os interesses criminosos destes últimos (de modo a que o Mal possa ser combatido pela raiz). E há que criar 20 ou 50 ou 100 “pastores municipais” em cada concelho, com casa própria e ordenado bem superior ao mínimo nacional (a cada um deles seria dado um rebanho de cabras ou ovelhas, para se fazer uma “limpeza” de matos e prevenção efectiva); as quais não estão ao alcance financeiro da maioria dos proprietários, tantas vezes idosos, ausentes ou até, desconhecidos. E há que dotar as Forças Armadas de muitos mais aviões e helicópteros, especialmente vocacionados para o combate ao fogo; que intervenham logo no início dos incêndios; desistindo Portugal de ajudar as teimosas e dispendiosíssimas ambições bélicas pessoais de Von der Leyen ou de Zelenski. E há que desviar para a frente do Fogo, as verbas enormes de obras de interesse mais que duvidoso, mas muito impactante, e que nada nos interessam. Por exemplo, como as do TGV ou de um novo aeroporto.