twitter

Guimarães comemora a Batalha de S. Mamede

A Crónica dos Godos, documento dos fins do séc. XII, princípios do séc. XIII, dá-nos a notícia da data e local da batalha, nos seguintes termos:

Era de 1166 (1128 da era cristã): no mês de junho, festa de S. João Baptista, o ínclito infante Afonso, filho do conde Henrique e da rainha dona Teresa (...) travou com eles (...) indignos e estrangeiros da nação combate no campo de S. Mamede, próximo do Castelo de Guimarães, venceu-os e prendeu-os na sua fuga”

Historiadores modernos continuam a discutir a interpretação a dar à Batalha de S. Mamede, ocorrida a 24 de Junho de 1128.

Trata-se de um facto fundador da Nação Portuguesa, representando o momento principal da independência de Portugal. Só D. Afonso Henriques encaminhou a sua ação política e militar no sentido de nos libertar, primeiro da hegemonia galega, e depois do domínio leonês.

– Os grandes historiadores Alexandre Herculano e José Mattoso adotam a seguinte posição:

1 - Alexandre Herculano refere que “… Havia nela um pretexto de nacionalidade que servia de estandarte à revolução, pelo que S. Mamede equivalia a uma declaração formal de independência”. (cf.. Alex.H, HP, I. p. 399).

2 - José Mattoso: chama ao dia 24 de junho de 1128, dia da Batalha de S. Mamede a “primeira tarde portuguesa”. (cf. A primeira tarde portuguesa, p. 11e segs.)

Outros historiadores consideram que a derrota do infante, em S. Mamede, representaria a perda, sem remissão, da causa nacional.

Entre os sécs. XIV a XVII, a Batalha de Ourique foi vista como o acontecimento mais importante, por se tratar de um facto sancionado pela visão miraculosa de Cristo. Mas, no séc. XIX, o historiador Alexandre Herculano restituiu à Batalha de S. Mamede o significado nacional, passando a ser o facto mais importante, por se tratar de uma ação coletiva, envolvendo a maioria dos senhores do Norte de Portugal, contra o domínio estrangeiro. Herculano chamou-lhe mesmo uma “revolução”. A mesma opinião tem o saudoso historiador José Mattoso. Daí que se considere este facto histórico como o mais adequado para a celebração do dia da Fundação de Portugal

Investigar D. Afonso Henriques e a Fundação de Portugal continua a ser um desafio que continua a valer a pena levar a cabo, em especial quando Portugal deve começar a preparar, com a devida antecedência, as comemorações dos 900 anos da Batalha de S. Mamede, em 2028.

Até ao séc. XIX, os historiadores pensavam através de “narrativas” e não através de fontes “documentais” (fontes diplomáticas). Esse

pensar a história alterou-se a partir de Alexandre Herculano (1810-1877) que iniciou o método científico, obedecendo a métodos rigorosos de investigação.

Convém não esquecer que um país que perdeu a memória ou que voluntariamente a destrói está a condenar à morte a sua identidade. Por isso, procura-se interpretar os restos fragmentados de um antigo saber tradicional, deixado pela nossa historiografia. Dir-se-á que um traço comum congrega e une os diferentes estudos sobre a Batalha de S. Mamede: cada um , á sua maneira, questiona a História e a formação do Reino.

Narciso Machado

Narciso Machado

23 junho 2026