twitter

Um sorriso abrangente de esperança e misericórdia

A fé é um fulcro de vivência do ser humano, ao longo do seu percurso de vida e incute espírito de persistência, ultrapassar momentos difíceis, mas com sentido de continuidade nas adversidades e nos bons momentos.

A presença humana no mundo global, em diferentes continentes com origens naturais diferentes, teve uma evolução estrutural permanente, geológico-tectónica, ambiental e dentro da ocupação populacional étnica diversificada, com “modus vivendo” diferente e adaptado às circunstâncias geográficas do planeta Terra.

A evolução é contínua através da existência da vida humana, adaptada às circunstâncias planetárias e às condições de vida, ao longo de séculos, como a capacidade intrínseca ao ser humano e se tem vindo a entrosar, com a criação de objetivos materiais e tecnológicos, mas não deixando de transmitir a essência da existência, com princípios e valores.

Quem viveu, no passado ou ainda no presente, em locais inóspitos e diferenciadores civilizacionais, sente a realidade da vida numa luta constante, quer na ultrapassagem dos momentos difíceis, quer no apoio aos povos isolados ou em condições de pobreza, mas com abertura para os tornar cidadãos universais, em igualdade e amor transversal ao próximo.

As ideologias políticas, comunitárias ou religiosas e as condições de vida da população nos continentes e em certos países, com dominância autocrática ou oligárquica, criam a discriminação, com agrupamentos populacionais em condições de vida indignas e degradantes, sendo necessário haver um espírito comunicacional de proximidade e humanismo, através de seres humanos imbuídos com sentido de dádiva e sendo cerne de uma fé natural, ligadas a religiões do Bom Pastor, com bons pastores, como aconteceu no cristianismo. 

Em 21 de Abril passou um ano da partida para a eternidade, de um ser humano, oriundo da América do Sul, o Pastor Francisco, que viveu com profundidade momentos de aproximação e transmissão de valores espirituais, motivando a contrapartida da pobreza, que limita escolhas, condiciona oportunidades e, muitas vezes silencia vozes. Foi assim que passou parte da sua vida, em bairros degradados e “favelas” principalmente na Argentina, sua terra natal, e também no Perú, com uma missão inconfundível de missionário da religião católica, que lhe incutiu uma forma de ser e estar, que apesar dos momentos vividos e observados, não lhe deixou de ser emissor da esperança, com misericórdia, e com um sorriso constante, para quem viveu na precariedade extrema e não é plenamente livre para decidir o seu caminho.

Foi uma vida de amor a Cristo, à Igreja Católica e por onde passou deixou o caminho da misericórdia, o que fez lembrar uma expressão de Mahatma Gandhi “Ninguém tem capacidade para julgar Deus. Somos apenas gotas naquele oceano ilimitado de misericórdia”, com um sorriso permanente e acolhedor, pois o amor não é como a água, não deve ficar na fonte. 

O Papa Francisco deixou uma mensagem na Carta Apostólica “Patris Conde”, que é um ex-libris da atualidade, “A Sagrada Família teve que enfrentar problemas concretos, como todas as outras famílias, como muitos dos nossos irmãos migrantes que ainda hoje arriscam a vida acossados pelas desventuras e a fome. Neste sentido, creio que São José seja verdadeiramente um padroeiro especial para quantos têm que deixar a sua terra por causa das guerras, do ódio, da perseguição e da miséria”. 

E foi esta e outras mensagens, com caridade, esperança e misericórdia, que legou o seu sorriso ao mundo, pois a Igreja é sempre a casa aberta do Pai.

Bernardo Reis

Bernardo Reis

12 maio 2026