A tempestade Kristin passará, mas levará consigo muita coisa. A sua passagem deixou perdas materiais, custos elevadíssimos, momentos de incerteza e uma dor profunda em todos os que foram diretamente afetados, mas também naqueles que assistiram, impotentes, à devastação. Casas destruídas, explorações agrícolas dizimadas e micro, pequenos e médios negócios sem perspetiva clara de quando e como poderão retomar a sua atividade. A todos estes deixo uma palavra de solidariedade e proximidade. Nenhuma resposta política faz sentido se não começar pelo reconhecimento humano da dor vivida.
Por detrás dos números e dos danos contabilizados, existem pessoas, famílias e comunidades inteiras confrontadas com a perda do que construíram ao longo de uma vida. Há angústia, medo e um sentimento de vulnerabilidade que não desaparecem com o recuo das águas ou com o fim da tempestade. Reconhecer essa dimensão humana não é um gesto retórico, é uma obrigação ética e institucional. É a partir dessa empatia que deve ser construída qualquer resposta pública séria, responsável e eficaz.
Fenómenos como o vivido já não podem ser encarados como episódios excecionais ou intemporais. São, cada vez mais, manifestações recorrentes de eventos climáticos extremos. Esta situação, que marcou, marca e marcará muitos portugueses, deve também servir de referência para o futuro. Não para alimentar fatalismos, mas para reforçar a nossa capacidade de resposta. Precisamos de maior resiliência territorial, de uma proteção civil robusta e de respostas rápidas e coordenadas do Estado. Esta ocorrência não foi apenas uma tempestade – foi um teste à capacidade de resposta pública, e é nestes momentos que importa avaliar, com seriedade, a atuação do Governo.
Importa, por isso, reconhecer a rapidez com que o Governo ativou os mecanismos de emergência, mobilizou meios e apresentou medidas que rondam os 2,5 mil milhões de euros para responder aos prejuízos sofridos por famílias e empresários. A liderança exercida não se ficou pelo plano administrativo. O Primeiro-Ministro e vários ministros com responsabilidades diretas estiveram no terreno, junto das populações afetadas, ouviram autarcas, famílias e agricultores, e avaliaram diretamente a dimensão dos danos.
Enquanto eurodeputado, reafirmo que Portugal não está sozinho. A Europa acompanha de perto a situação e está preparada para mobilizar os instrumentos e mecanismos de solidariedade disponíveis. Uma resposta nacional célere, coordenada e credível reforça também a posição de Portugal no contexto europeu, facilitando o acesso a esses mecanismos. A resposta dada à tempestade Kristin vai claramente nesse sentido.
O processo de reconstrução será longo, exigente e requer acompanhamento contínuo. Um acompanhamento que não termina quando desaparecem as câmaras de televisão e a atenção mediática diminui. Esse é o compromisso institucional que deve existir para com as famílias, as empresas e os agricultores afetados.
Portugal já demonstrou, em vários momentos, a sua capacidade de se unir, responder e reconstruir. Perante esta situação, voltou a fazê-lo. É tempo de unidade institucional entre os níveis local, nacional e europeu. Esse é o caminho de proximidade, solidariedade e ação responsável que devemos continuar a percorrer.