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D. Nélio Pita aponta caminho para uma vida mais equilibrada na Romaria de São Bento da Porta Aberta

Fotografia André Arantes

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 13 de agosto de 2026, às 16:20

Bispo auxiliar de Braga incentivou os peregrinos a seguirem o exemplo de São Bento

O Santuário de São Bento da Porta Aberta acolheu, esta quinta-feira, uma multidão de peregrinos na segunda grande romaria do ano dedicada ao patrono da Europa. 
A Eucaristia solene e a procissão foram presididas pelo bispo auxiliar de Braga, D. Nélio Pita, que convidou os fiéis a redescobrirem um modo de viver mais equilibrado e comprometido com a fé, à luz da vida e da regra de São Bento, “Ora e Trabalha”.

Na homilia, o prelado apresentou o discernimento, a visão e a organização como três características da experiência de São Bento que podem ser motivo de inspiração para os cristãos. 

Referindo-se à primeira característica, D. Nélio Pita recordou que São Bento, nascido numa família nobre, abandonou os estudos e a vida confortável em Roma depois de se confrontar com um ambiente que considerava moralmente decadente, enveredando por uma vida de eremita.

A decisão de Bento, observou, é um exemplo da importância do discernimento perante as escolhas da vida.

«Como São Bento, o nosso discernimento deve ser orientado, tendo como propósito o seguimento de Jesus. Por isso, não façamos concessões ao mal, não pactuemos com esquemas que corrompem, não alimentemos projetos de glória meramente mundana à busca do sacrifício de outros irmãos e da exploração dos recursos naturais. Como São Bento, não tenhamos medo de tomar decisões em conformidade com a vontade de Deus, mesmo que sejam decisões contra a corrente», exortou.

Superar a visão meramente individualista

D. Nélio referiu-se depois à visão de São Bento, que foi capaz de olhar para o futuro, atrair discípulos e fundar comunidades monásticas, surgindo, assim, a comunidade beneditina que moldou a história do Ocidente. 

Passados 15 séculos, disse, a sua regra, “Ora e Trabalha”, continua a inspirar centenas e milhares de homens e mulheres em todo o mundo.

«Precisamos de alimentar este sentido de família, da pertença a um corpo, que está muito para além dos nossos caprichos pessoais, que tantas vezes semeiam divisões», afirmou.

Perante uma sociedade marcada pelo individualismo, D. Nélio Pita defendeu a necessidade de recuperar o sentido comunitário e de caminhar em conjunto enquanto Igreja.

«Precisamos de superar a visão meramente individualista», reforçou, defendendo uma «Igreja peregrina tendo São Bento como referência» e comprometida na «construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna».

«Juntos, podemos fazer muito mais», acrescentou.

Referindo-se à terceira característica - organização, o prelado notou que hoje precisamos de um modelo de equilíbrio entre oração, trabalho, estudo, atividade física e descanso. 

Segundo D. Nélio, esta proposta de São Bento   continua atual, numa sociedade onde tantas pessoas enfrentam dificuldades em conciliar as diferentes dimensões da vida.

«Através do trabalho físico e de uma alimentação moderada, a regra contém um conjunto de preceitos práticos destinados a equilibrar momentos de oração, trabalho intelectual e corporal sem desvalorizar o tempo de descanso», notou.

Segundo o prelado, a causa de muito sofrimento no corpo e na mente tem como origem a incapacidade de conjugar harmoniosamente as diferentes áreas da nossa vida.

A vida familiar, profissional, espiritual e relacional, explicou, pode entrar em conflito quando uma dimensão acaba por anular as restantes. 

«O modelo organizativo [preconizado por São Bento] deu muitos e bons frutos e hoje precisamos recuperar este equilíbrio. Precisamos de vidas muito mais equilibradas», defendeu,  

A celebração, solenizada pelo coro de São Bento,  contou com a  participação de representantes de autoridades civis e militares, entre os quais a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, o presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, o presidente da Assembleia Municipal, o deputado Carlos Cação (PSD), o presidente da Cruz Vermelha de Rio Caldo, além de representantes da Irmandade de São Bento, sacerdotes, diáconos e seminaristas.