twitter

Leão XIV critica obsessão em «ter e possuir» e sublinha que amor cristão exige acolhimento

Fotografia DR

Francisco de Assis

Jornalista

Publicado em 28 de junho de 2026, às 16:41

Papa também manifestou solidariedade para com as vítimas dos sismos na Venezuela

Santo Padre criticou hoje,  no Vaticano, a mentalidade materialista contemporânea, desafiando as comunidades católicas a ir ao encontro dos mais necessitados. Na sua intervenção, o Sumo Pontífice sublinhou que o amor cristão exige acolhimento dos irmãos.

«O amor é também perda. É difícil compreendê-lo, especialmente num mundo no qual perder parece ser uma fraqueza e no qual se vive obcecados por ter e possuir», disse, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação da oração do ângelus.

Leão XIV sublinhou que «o amor ao Senhor passa sempre pelo acolhimento dos irmãos». «O amor só produz fruto ao doar-se, quando estamos dispostos a perder um pouco do nosso eu para dar espaço ao outro, a perder um pouco de tempo para escutar um amigo, a perder um pouco de conforto para compartilhar uma situação complicada», precisou, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

O Papa advertiu que o individualismo leva a uma existência estéril.

«Se vivermos segundo a lógica do dom, seremos capazes de gerar vida nova nas nossas relações», acrescentou.

 

A intervenção dominical centrou-se na análise das exigências do «seguimento» de Jesus, apresentando «o desapego, a perda e o acolhimento» como pilares da «relação de amor» com Deus e os outros.

«O amor, na verdade, expressa-se em escolhas e ações concretas, num empenho feito de pequenos gestos quotidianos», apontou o Papa.

A intervenção concluiu-se com uma oração à Virgem Maria: “Que Ela nos ajude a ser testemunhas humildes e alegres do amor de Cristo».

Após a oração, Leão XIV deixou uma saudação aos peregrinos, agradecendo pela sua presença num dia de calor, no verão romano.

Entretanto, o Sumo Pontífice preside, amanhã à Eucaristia da solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, seguida da recitação do Ângelus..

 

Solidariedade 
a vítimas dos sismos 
na Venezuela

Entretanto, o Papa manifestou ontem a sua solidariedade às vítimas dos sismos que atingiram a Venezuela, na última quarta-feira. «Desejo expressar a minha solidariedade aos nossos irmãos e irmãs venezuelanos afetados pelos recentes sismos que causaram inúmeras mortes e feridos, bem como imensos danos materiais», disse Leão XIV, em espanhol, após a recitação da oração do ângelus.

Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, o Papa rezou pelo «descanso eterno dos defuntos».

Recorde-se que a presidência da Conferência Episcopal da Venezuela convocou para ontem uma jornada nacional de oração, evocando as vítimas da tragédia. «Não estão sozinhos, têm uma aldeia e uma Igreja que caminham ao seu lado», referiram os bispos católicos.

Os dois grandes sismos registados na Venezuela causaram pelo menos 1430 mortos e 3328 feridos; segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.

Em Portugal, a Cáritas e várias Dioceses uniram esforços para angariar donativos de emergência.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo.

Redação/Ecclesia