Os bispos da Arquidiocese de Braga dão hoje início à Visita Pastoral ao Arciprestado de Fafe, que só termina no dia 21 de junho, no Multiusos de Fafe. A cerimónia de abertura está marcada para as 21h15, na Igreja Nova de São José, com a presença do Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro; dos seus bispos auxiliares, D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita, para além de sacerdotes e responsáveis do arciprestado.
Como é habitual, os bispos dirigiram uma mensagem aos fafenses aos arquidiocesanos em geral, com o título “Juntos, servidores criativos, no caminho de Páscoa”.
«A Paz esteja convosco! Com estas palavras do Ressuscitado, que também iniciaram o ministério do Papa Leão XIV, saudamos todo o Povo de Deus peregrino no Arciprestado de Fafe. Com alegria e espírito de comunhão, aproximamo-nos de vós nesta “visitação”, desejando escutar, caminhar e discernir, à luz do Evangelho, os desafios e oportunidades que hoje se colocam à vida de cada um de nós e das nossas comunidades cristãs», começam por dizer, antes de explicarem o significado da visita.
«A Visita Pastoral é um tempo favorável, de bênção e de graça para o Bispo poder conhecer melhor o Povo de Deus e o Povo de Deus ser confirmado na fé, na esperança e na caridade. Vivemos tempos de grandes transformações no mundo e também na Igreja. Múltiplos riscos sobrevoam a humanidade, que assiste a uma espécie de terceira guerra mundial fragmentada, a acontecer cada dia, com incontáveis e graves atentados à dignidade inviolável da vida humana».
Menos padres obriga a nova reorganização
Na comunicação, D. José, D. Delfim e D. Nélio referem que a Igreja de Braga reconhece, com realismo, a crise das vocações e consequente diminuição do número de clero ao serviço das comunidades.
«O arciprestado do Fafe não tem passado ao lado disto, uma vez que, em 25 anos, passou de 20 para 11 párocos. Além disso, muitos dos sacerdotes que colaboravam no trabalho pastoral paroquial também deixaram de dar essa colaboração. Com a diminuição de presbíteros não desapareceram, nem sequer reduziram, as paróquias. Perante esta realidade, há uma necessária reorganização territorial e uma conversão pastoral e missionária que nos deve motivar a repensar estruturas, hábitos e modos de presença. Não se trata apenas de uma reorganização geográfica ou administrativa, juntar paróquias ou fomentar as unidades pastorais, mas de uma oportunidade para a conversão pessoal, pastoral e missionária, para fortalecer a comunhão, a corresponsabilidade e a missão partilhada entre paróquias, movimentos, grupos e serviços eclesiais», avisam.
Preocupação com acentuado desinteresse e descompromisso
de muitos leigos
De acordo com os prelados, ligada a esta realidade surge a multiplicação de Missas, que nem sempre favorece a participação consciente e a vivência comunitária da fé. «Por ser fonte, centro e cume da vida cristã, somos convidados a discernir, com serenidade e coragem, caminhos que ajudem a valorizar a celebração da Eucaristia e do Domingo, evitando a dispersão e promovendo assembleias mais vivas, participadas e criativas. Todavia, considere-se a proposta pastoral: «menos missas e melhor missa».
Os bispos de Braga partilham também a preocupação perante um acentuado desinteresse e descompromisso de muitos leigos e o afastamento da vida comunitária, em especial após a pandemia.
«Esta situação não deve ser motivo de desalento, mas um apelo renovado à evangelização, à formação e ao acompanhamento próximo, mas também ao primeiro anúncio. As comunidades cristãs só serão vivas se forem espaços de acolhimento, escuta, participação e corresponsabilidade, e também lugares de ousadia e de saída missionária. E tudo em chave sinodal, que não quer ser uma moda, mas o estilo do próprio Cristo, que chama, envolve e caminha em conjunto, com os discípulos e com o povo».
De acordo com os Bispos, no território arciprestalde Fafe, não se pode ignorar as situações sociais de isolamento e solidão, que atingem muitas pessoas, especialmente idosos, doentes e famílias fragilizadas. «A Igreja deve ser e quer ser casa de comunhão, proximidade e cuidado, para que ninguém se sinta esquecido ou sozinho».
Na mensagem, D. José, D. Delfim e D. Nélio olham, por fim, com atenção para a realidade dos migrantes que marcam profundamente o tecido social e eclesial deste arciprestado.
«Uns que partem, desde há muito, em busca de melhores condições de vida, e cada ano regressam, a fim de não perder as origens e as raízes; outros que, mais recentemente, chegam, trazendo consigo culturas, línguas e esperanças a saber integrar. Todos são irmãos e irmãs, que nos desafiam a uma pastoral mais aberta, inclusiva e solidária».
«Confiamo-nos e confiamos o Arciprestado de Fafe à intercessão de Maria, Senhora da Misericórdia. Pedimos ao Espírito Santo que nos conceda a sabedoria, a coragem e a alegria da Páscoa para continuarmos a caminhar juntos, como Igreja sinodal, fiel ao Evangelho e próxima das pessoas», concluem.
Encontros
de Formação amanhã
e dias 21 e 27 de março
Entretanto, o padre José António Carneiro, arcipreste de Fafe enviou mais informações sobre a Visita dos Pastores da Arquidiocese de Braga. Assim, amanhã, às 21h00 “Caridade”, dia 21 de março, 21h00; “Catequese” e no dia 27, “Liturgia”, todos no ACR Fornelos; ACR Fornelos.
De salientar ainda a Exposição de arte sacra, de 2 de abril a 1 de novembro, no Arquivo Municipal, com a colaboração de todos os arciprestados e da Câmara Municipal.
Refira-se ainda que as visita às paróquias propriamente ditas decorrem de 17 de abril a 31 de maio.
O encerramento da Visita Pastoral é no dia 21 de junho, às 15h00, no Multiusos de Fafe, com Crisma Arciprestal e nomeação dos Conselhos Paroquiais Pastorais.