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Papa avisa que não se pode aceitar nenhum silêncio ou ocultação dos abusos

Papa avisa que não se pode aceitar nenhum silêncio ou ocultação dos abusos
Fotografia DR

Redação

Agência Ecclesia

Agência noticiosa católica

Publicado em 19 de novembro de 2023, às 10:07

Francisco é contra o silêncio e a favor da justiça civil para prevaricadores

O  Papa considera que é necessário «proteger, escutar e curar» as pessoas menores ou vulneráveis que são vítimas de qualquer tipo de abuso, um tema que não admite «nenhum silêncio ou ocultação». «Quem protege, quem protege o próprio coração, sabe que ‘não se pode aceitar nenhum silêncio ou ocultação em relação ao tema dos abusos’», afirmou o Papa, citando as diretrizes da Conferência Episcopal Italiana  para a proteção de menores e pessoas vulneráveis. Francisco recebeu em audiência os participantes dos Serviços e dos Centros Territoriais de Escuta para a proteção de menores e dos mais vulneráveis da Igreja Católica em Itália, e disse que, para concretizar a proteção de menores e pessoas vulneráveis, é preciso «proteger, escutar e curar». O Santo Padre indicou que, proteger menores e pessoas vulneráveis, implica «participar ativamente na dor das pessoas feridas» e envolver «toda a comunidade cristã», porque «a ação de proteção é parte integrante da missão da Igreja na construção do Reino de Deus». O Papa referiu-se depois ao tema dos abusos como «um drama» que diz respeito a todos os âmbitos da sociedade, nomeadamente no contexto familiar, lembrando que as estatísticas mundiais apontam para uma percentagem de 42 a 46% de abusos em ambiente doméstico, denunciando um silêncio que «encobre tudo», também no mundo do desporto escolar.

 

A cura das feridas também é da justiça

Francisco apontou depois a necessidade «saber escutar», «deixando de lado toda forma de protagonismo e interesse pessoal» e colocando no centro de todas as ações «aqueles que sofreram ou estão a sofrer e quem é mais frágil e vulnerável». E sustentou: «A escuta das vítimas. é o passo necessário para fazer crescer uma cultura de prevenção, que se materializa na formação de toda a comunidade, na implementação de procedimentos e boas práticas, na vigilância e naquela clareza de ação que constrói e renova a confiança», sublinhou. Para o Papa, a escuta de quem sofreu abusos é «o único caminho para partilhar o que aconteceu na vida de uma vítima. Somos chamados a uma reação moral, a promover e a testemunhar a proximidade com aqueles que foram feridos por um abuso». O Papa entende que «a cura das feridas é também obra de justiça. Precisamente por esta razão é importante julgar aqueles que cometem tais crimes, ainda mais se em contextos eclesiais. E eles próprios têm o dever moral de uma profunda conversão pessoal, que conduza ao reconhecimento da própria infidelidade vocacional», alertou.red