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CCDR Norte reivindica ligação ferroviária mais rápida à Galiza

Fotografia DM

Luísa Teresa Ribeiro

Chefe de Redação

Publicado em 14 de outubro de 2026, às 18:07

Sessão decorreu hoje no centro de congressos de Bruxelas, no âmbito da Semana das Regiões

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR Norte), Álvaro Santos, reivindicou, hoje, em Bruxelas, uma ligação ferroviária «mais rápida e mais competitiva» entre o Porto e Vigo, considerando que essa concretização «pode criar novas oportunidades em ambos os lados da fronteira».

Este responsável falava na conferência “Ultrapassar os obstáculos ao direito de permanecer: como a conectividade dos transportes influencia a atratividade de um território”, integrada no programa da 24.ª Semana Europeia das Regiões e dos Municípios, que decorreu durante três dias, com o tema “Regiões fortes, Europa forte”.

«Hoje, o comboio Celta entre o Porto e Vigo demora cerca de 2h30 (duas horas e meia). Precisamos de uma ligação ferroviária mais rápida e mais competitiva. Este não é apenas um projeto de transportes. É um projeto de integração territorial. Pode aproximar empresas, universidades e pessoas. E pode criar novas oportunidades em ambos os lados da fronteira. Com melhores ligações, uma fronteira pode tornar-se uma porta de entrada e não uma barreira», diz.

Nessa perspectiva, defende que uma melhor ligação ferroviária entre o Porto e Vigo «pode reforçar os mercados de trabalho, ligar empresas e universidades e criar um ecossistema de inovação muito mais forte de ambos os lados da fronteira». Em relação ao interior, este território precisa de melhores ligações entre Trás-os-Montes e Castela e Leão.

«Estas ligações podem gerar novas oportunidades económicas e sociais. Não devemos olhar para estes territórios apenas sob o prisma dos seus problemas. Eles também têm talento. Também têm potencial», afirma.

Álvaro Santos entende que «uma fronteira nacional não se deve tornar uma barreira às oportunidades», nem os cidadãos devem ter menos oportunidades pelo facto de viverem nesses territórios.

Álvaro Santos aponta o Aeroporto do Porto como a principal porta de entrada internacional da região, com cerca de 17 milhões de passageiros em 2025. «O objetivo não passa apenas por ter um aeroporto de sucesso. É garantir que toda a região beneficia desta ligação», adianta.

Perspetiva ainda que a «mais do que provável criação da Área Metropolitana do Minho» vai permitir reforçar o financiamento na área dos transportes e facilitar a governação através de uma entidade gestora semelhante aos Transportes Metropolitanos do Porto, entidade responsável pela gestão da mobilidade e do transporte de passageiros nos 17 municípios da Área Metropolitana do Porto.

Todos os territórios contam.

CCDR Norte. O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR Norte), Álvaro Santos, defendeu, ontem, que não se pode «investir apenas onde as pessoas e a atividade económica já estão concentradas», porque «todos os territórios contam».

Entre 2021 e 2025, a região ganhou mais de 187 mil habitantes – o equivalente a um crescimento de 5,2% –,  cifrando-se nos 3,8 milhões de habitantes. A componente migratória teve um papel determinante, com um acréscimo de 235,2 mil pessoas. Pela primeira vez, as oito sub-regiões registaram um crescimento do número de habitantes.

Contudo, cerca de 20 municípios continuaram a perder habitantes, sendo muitas vezes territórios «com uma população envelhecida e menos ligações de transporte». A densidade populacional regista uma variação enorme, desde 19 habitantes por quilómetro quadrado em algumas zonas da região até aos quase 900 na Área Metropolitana do Porto. Assim, argumenta, «o principal desafio não é apenas o despovoamento. É a assimetria territorial. Isto significa que precisamos de soluções diferentes para territórios diferentes».

«Não podemos investir apenas onde as pessoas e a atividade económica já estão concentradas. Se o fizermos, corremos o risco de acentuar ainda mais as disparidades territoriais. Por vezes, o investimento tem de vir primeiro. Ele cria as condições para novas oportunidades, novos empregos e novas comunidades. É por isso que a Política de Coesão europeia é tão importante para o Norte», sustenta.