A “Arte dos Caldeireiros de Santa Marta de Rossas”, em Vieira do Minho, distrito de Braga, foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, em regime de salvaguarda urgente, segundo anúncio publicado hoje em Diário da República (DR).
A “Arte dos Caldeireiros de Santa Marta de Rossas” é uma atividade de transformação de metais (como o cobre e o latão) com raízes ancestrais e que usa ferramentas manuais muito antigas.
“Presente em Rossas pelo menos desde a primeira metade do século XIX, a arte só tem hoje dois praticantes a tempo inteiro no concelho de Vieira do Minho, ambos a poucos anos de atingir a idade da reformaé : Bernardino Ferreira Alves e José Moreira da Silva, e ainda cerca de duas dezenas de detentores a exercer outras profissões ou a viver fora do país”, lê-se no Portal de Turismo na Internet do município de Vieira do Minho.
A autarquia acrescenta que a produção atual dos caldeireiros concentra-se sobretudo nos alambiques e nas caldeiras, “ainda que, nas últimas décadas, os artesãos tenham começado a produzir miniaturas e outros objetos decorativos e utilitários”.
“No entanto, em tempos de antanho [tempos antigos], os objetos de uso utilitário, sobretudo para cozinha, eram a parte considerável da produção”, explica a Câmara Municipal de Vieira do Minho.
O anúncio da inscrição da manifestação da “Arte dos Caldeireiros de Santa Marta de Rossas” (em regime de Salvaguarda Urgente) no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial publicado hoje em DR é assinado pelo presidente do Património Cultural, Instituto Público, João Soalheiro.
A decisão é justificada com “a importância da arte dos caldeireiros enquanto reflexo da identidade da comunidade de Santa Marta de Rossas e artesãos que a praticam”, e com “a relevância da sua dimensão histórica, social e cultural na área territorial em que se insere”.
O Património Cultural lembra também “a necessidade de proteção e promoção dos contextos de transmissão de saberes e conhecimentos implicados, que apresentam, atualmente, elevados riscos e ameaças à sua continuidade”, sublinhando a “urgência no desenvolvimento de medidas de salvaguarda que garantam a viabilidade futura” desta arte.
“A capacitação e valorização das comunidades e indivíduos associados” e “a articulação desta prática com as exigências de desenvolvimento sustentável no território e respeito pelos direitos, liberdades e garantias de todos os envolvidos” são outras razões apontadas pelo Património Cultural para a inscrição desta arte no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.