A requalificação das rotundas de Infias e da Filadélfia, marcadas pela instalação das novas letras monobloco com a identidade “Vizela”, assinalou, ontem, as celebrações dos 44 anos do 5 de Agosto de 1982.
A intervenção nas portas de entrada da cidade replica as emblemáticas estruturas já existentes no centro urbano, reforçando a imagem visual e a qualificação do espaço público na receção a residentes e visitantes.
Estas inaugurações integraram a programação de evocação da data histórica da revolução popular pela independência administrativa do concelho, que antecedeu a criação formal do município, conquistada a 19 de março de 1998.
Sobre as obras, o presidente da Câmara Municipal de Vizela, Victor Hugo Salgado, enfatizou que a colocação da palavra “Vizela” nas rotundas de acesso tem um forte valor simbólico, permitindo que quem chega à cidade perceba a identidade local reforçada. O programa deste ano incluiu, ainda, a tradicional romagem aos cemitérios e culminou com o lançamento do fogo de artifício, no fim da noite, no Largo 5 de Agosto.
Por sua vez, o momento de viragem na jornada de ontem aconteceu no Auditório Municipal Francisco Ferreira, local que acolheu a apresentação da programação comemorativa dos 45 anos da efeméride, a festejar em 2027.
Nessa sessão, a emoção marcou a intervenção de José Manuel Couto, histórico elemento do grupo A Pesada. Recordando os companheiros de luta já falecidos após a visualização de um vídeo retrospetivo, o responsável desabafou que «é muito difícil ver estas imagens passadas há 44 anos», prestando homenagem a nomes que, tal como o dele, foram fundamentais para a emancipação concelhia. José Manuel Couto sublinhou que «o 5 de Agosto foi uma data marcante» de uma «luta incessante que começou no dia 30 de abril de 1982», destacando a união do povo em redor da bandeira azul e amarela e a importância do Movimento Restaurador do Concelho de Vizela (MRCV).
Na mesma linha, o presidente da Comissão de Festas de Vizela, João Vaz, assumiu o compromisso da organização em «manter viva a memória do 5 de Agosto» e transmitir esse legado às gerações mais jovens. O responsável lembrou que o objetivo passa por assinalar a data anualmente, reservando, contudo, um programa de maior projeção a cada cinco anos, como sucederá na celebração dos 45 anos.
O encerramento das intervenções esteve a cargo do presidente da Câmara Municipal, Victor Hugo Salgado, que fundamentou a luta autonómica com base num «triângulo dourado» composto pelo grupo A Pesada, pelo MRCV e pela comunicação social, sustentado pela força do povo vizelense.
Relativamente ao programa de 2027, o edil anunciou atividades entre 5 e 8 de agosto, incluindo a exposição “Orgulho de Ser Vizelense”; a exibição de um documentário sobre a autonomia; uma sessão solene evocativa com a entrega de azulejos com a representação das duas datas aos protagonistas da luta, em detrimento de medalhas; mesas-redondas com historiadores e iniciativas pedagógicas nas escolas do concelho através da edição de um livro infantil e do projeto “Os Jovens Perguntam”.

