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José Mota Alves deixa liderança da ATAHCA no final do mês

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Fotografia DM

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 20 de junho de 2026, às 10:12

Dirigente defende uma maior proximidade dos decisores políticos ao mundo rural

O presidente da ATAHCA, José Mota Alves, vai cessar funções no final deste mês, encerrando um ciclo de 35 anos ligado à instituição.

Num comunicado à imprensa, o dirigente anunciou que não será candidato às eleições da Associação, agendadas para o dia 30 de junho, justificando a decisão com razões de saúde e com a convicção de que chegou o momento de encerrar este ciclo.

«Por razões de saúde e também porque o tempo e a idade nos ensinam a importância de saber parar, não apresentarei candidatura», refere José Mota Alves, acrescentando que deixa as funções «com emoção, mas também com profunda serenidade e gratidão».

Além da presidência da Direção da ATAHCA, cessará igualmente funções como coordenador da Equipa Técnica Local do Grupo de Ação Local (GAL), estrutura responsável pela implementação de programas de desenvolvimento rural, nomeadamente o programa LEADER nos territórios dos vales do Cávado e do Ave.

No balanço do percurso realizado, o responsável destaca o trabalho desenvolvido ao longo de décadas em prol das comunidades rurais, sublinhando que «foram muitos anos de trabalho, de desafios, de sonhos concretizados, de dificuldades ultrapassadas e, acima de tudo, de construção coletiva».

O dirigente está convicto de que o trabalho desenvolvido pela ATAHCA, através da implementação e a abordagem LEADER e de outros programas de apoio ao desenvolvimento rural, deixará um legado duradouro nas comunidades, instituições, empresas, associações e pessoas destes territórios rurais.

Com cerca de cinco décadas dedicadas ao desenvolvimento do mundo rural, José Mota Alves aproveita também a despedida para lançar um alerta sobre os desafios que continuam a afetar os territórios rurais, defendendo mais investimento, inovação e políticas de discriminação positiva que contribuam para combater a perda de população e promover a coesão territorial.

«Continuo a acreditar profundamente no futuro do mundo rural», afirma, defendendo uma maior proximidade dos decisores políticos às realidades locais e uma redução da burocracia que, considera, continua a constituir um entrave ao desenvolvimento dos territórios.

Para o ainda presidente da ATAHCA, o futuro das zonas rurais dependerá da capacidade de criar condições que fixem jovens e população ativa.

«O futuro exigirá mais apoio, mais imaginação, mais capacidade de inovação e políticas de verdadeira discriminação positiva que permitam contrariar a saída dos jovens e da população ativa dos nossos territórios rurais», sustenta.

José Mota Alves alerta ainda para a necessidade de uma intervenção mais decisiva dos responsáveis políticos nacionais, regionais, sub-regionais e locais na definição de estratégias para o interior do país. Na sua perspetiva, sem medidas eficazes, Portugal «continuará a inclinar-se cada vez mais para o litoral», onde já reside cerca de 80% da população portuguesa.

«Precisamos de um país mais equilibrado do ponto de vista demográfico, mais coeso entre o litoral e o interior e mais justo na igualdade de oportunidades para todos os cidadãos, independentemente do local onde residam», defende.

O dirigente considera igualmente fundamental valorizar os agentes locais e o conhecimento acumulado nos territórios rurais e defende a redução da «excessiva carga burocrática» sobretudo nos territórios do interior e dos de menor dimensão, referindo que certos procedimentos administrativos constituem «obstáculos ao desenvolvimento dos territórios rurais».

Para Mota Alves, o mundo rural precisa de «um olhar mais atento, mais profundo e mais humano sobre cada realidade local».

« Necessita de proximidade, de compromisso e de verdadeiro espírito de missão. Caso contrário, muitos lugares e freguesias rurais correrão o risco de se transformarem em espaços sem vida, destinados apenas à memória e a futuros estudos arqueológicos sobre aquilo que outrora foram comunidades vivas», acrescenta.

As eleições da ATAHCA realizam-se no próximo dia 30 de junho, data que marcará o fim de um ciclo de 35 anos de liderança de José Mota Alves numa das mais relevantes associações de desenvolvimento local da região Norte.

José Mota Alves conta cerca de 50 anos de trabalho em prol do mundo rural. Dirigente associativo desde 1974, esteve particularmente ligado, durante 35 anos, à implementação do Programa LEADER, através do GAL da ATAHCA, e ao desenvolvimento integrado e integrador dos territórios rurais dos Vales do Cávado e do Ave. Teve ainda intervenção na vida política e partidária, tendo sido eleito nas primeiras eleições autárquicas realizadas em 1976 e desempenhou funções como vereador da Educação da Câmara Municipal de Vila Verde.