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Cães de proteção de gado reduziram em 95% prejuízos causados por ataques de lobo em 12 anos

Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 12 de maio de 2026, às 15:31

A ACHLI “acompanha 17 processos de pós-avaliação ambiental ligados a 15 parques eólicos e dois sobreequipamentos, num total de 342 aerogeradores e 684,5 MW, abrangendo 14 alcateias de lobo ibérico”.

A Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico (ACHLI) anunciou hoje que, desde 2014, foram reduzidos em 95% os prejuízos causados em rebanhos atacados pelo lobo devido à utilização de cães de proteção de gado.

Em comunicado envido à agência Lusa, a propósito de uma sessão dedicada à relação entre energias renováveis e conservação da biodiversidade, a decorrer em Paredes de Coura, a associação adiantou que foram integrados nesse projeto de defesa do gado 130 cães, ao abrigo do trabalho desenvolvido através do Fundo do Lobo e dos planos de monitorização associados ao lobo ibérico, destacando “medidas de gestão de habitat, reflorestação, proteção de gado e sensibilização das populações locais”.

O “objetivo passa por evidenciar a forma como os projetos de energias renováveis podem coexistir com a conservação da biodiversidade através de mecanismos de compensação ambiental e monitorização contínua”.

Atualmente, a ACHLI “acompanha 17 processos de pós-avaliação ambiental ligados a 15 parques eólicos e dois sobreequipamentos, num total de 342 aerogeradores e 684,5 MW, abrangendo 14 alcateias de lobo ibérico”.

“Desde 2006, a ACHLI já monitorizou 21 alcateias e 46 projetos energéticos, em parceria com universidades como Aveiro, Porto e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)”, adianta.

No “âmbito da gestão florestal, foram intervencionados 712 hectares e plantadas mais de 190 mil árvores autóctones nos últimos 14 anos”, tendo ainda sido “criadas áreas sem atividade cinegética em zonas críticas para o lobo ibérico, abrangendo mais de três mil hectares”.

A ACHLI destaca também “o projeto de reintrodução de corço na região sul do Douro, com 129 animais libertados entre 2013 e 2022, com o objetivo de aumentar a disponibilidade alimentar do lobo e reduzir ataques ao gado”.

A “componente de sensibilização pública incluiu 48 sessões em escolas, envolvendo mais de 1.700 alunos, além de várias ações dirigidas a populações locais e público em geral”.

O modelo apresentado pela associação, refere, “pretende demonstrar a compatibilização entre a expansão das energias renováveis e a conservação do lobo ibérico, através de medidas de mitigação e gestão de habitat articuladas com Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA)”.

Criada em 2006, a Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico tem como missão a preservação da paisagem natural e cultural de áreas sensíveis e, em especial, a conservação do habitat do lobo ibérico.

Para “o desenvolvimento das suas atividades, a ACHLI conta com a contribuição ativa dos seus associados, empresas de produção de energia renovável, e a colaboração de vários setores, nomeadamente organismos públicos da área do ambiente, universidades, centros de investigação, organizações não governamentais de ambiente, autarquias locais e comunidades locais, entre outras”.

“As referidas contribuições asseguram o funcionamento do Fundo do Lobo que é utilizado para financiar os projetos de gestão e conservação do habitat do lobo ibérico”, sublinha a ACHLI.

A sessão que decorre hoje em Paredes de Coura é promovida pela APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis no âmbito do projeto BioImpacte+.

O BioImpacte+ “pretende identificar e potenciar as oportunidades que o setor das energias renováveis, em particular as centrais solares fotovoltaicas, oferece à conservação da biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável dos territórios”.

Através “da realização de sessões colaborativas com atores locais, o projeto pretende construir soluções práticas que integrem a biodiversidade como eixo estruturante dos projetos de energia”.

A sessão, que decorre na Casa do Conhecimento em Paredes de Coura “será dedicada à relação entre energias renováveis e conservação da biodiversidade, com foco no Parque Eólico do Alto Minho I.