O Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica recuou hoje no tempo para recordar o episódio da invasão dos antigos Paços do Concelho de Prado, há 180 anos, por ocasião da Revolta da Maria da Fonte, e homenagear o escritor D. João de Castro, que residiu naquele edifício histórico durante os últimos 20 anos da sua vida.
Estas duas evocações inseriram-se nas primeiras Jornadas Culturais do Cávado, iniciativa dedicada à valorização da história, literatura, etnografia, caminhos de peregrinação, gastronomia e outros aspetos marcantes da herança cultural do concelho de Vila Verde.
A sessão de abertura foi presidida pelo secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, que destacou a qualidade do programa e a pertinência dos temas escolhidos, e elogiou o trabalho desenvolvido pelo Município de Vila Verde na valorização dos seus recursos culturais e identitários.
Referindo-se à importância histórica do edifício onde decorreram as jornadas, o governante considerou existir uma continuidade simbólica entre as funções históricas e funções atuais desta casa, na vila de Prado, que agora evoca e recria a tradição oleira de Prado e freguesias vizinhas.
«O mesmo espaço que acolheu a tensão, a decisão e a mobilização, que marcou a história de um tempo, é hoje um lugar de estudo, uma casa de transmissão e de valorização cultural», afirmou.
Ao evocar a Revolta da Maria da Fonte, Alberto Santos aproveitou também para destacar o papel das mulheres minhotas ao longo da história, nomeadamente na sustentação das famílias e das comunidades, muitas vezes em condições difíceis.
O governante evocou ainda a memória do escritor
D. João de Castro, lembrando que residiu e escreveu parte da sua obras no edifício que acolhe hoje o Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica.
O secretário de Estado falou ainda da importância da localização estratégica da vila de Prado, uma terra de «pergaminhos históricos», durante séculos lugar de passagem de militares romanos, comerciantes e peregrinos de Santiago de Compostela.
A sessão de abertura contou também com a presença da presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, dos vereadores Patrício Araújo e Michele Alves, do presidente da Juntas de Freguesia da Vila de Prado, Albano Bastos, e do presidente da União de Freguesias de Vila Verde e Barbudo, José Faria.
Júlia Fernandes destaca
importância das Jornadas
A presidente da Câmara de Vila Verde explicou que as Jornadas Culturais do Cávado surgiram com o objetivo de revitalizar a identidade do concelho e dar visibilidade à história, à literatura à etnografia e a outros aspetos marcantes da herança cultural da região, promovendo simultaneamente a criatividade local e a partilha de estudos, conhecimentos, perspetivas e experiências.
«Centram-se ainda no propósito de homenagear o escritor D. João de Castro, que viveu neste imóvel durante duas décadas e aqui escrever boa parte da sua obra, inspirando-se na indescritível beleza do Minho, na singeleza das suas gentes e na genuinidade da sua cultura», acrescentou.