Muitos milhares de fiéis e de visitantes participaram hoje na Procissão dos Santos Passos de Guimarães, que também atraiu às ruas da “cidade-berço” muitos turistas.
A manifestação pública de fé, que assinala a entrada do Arciprestado de Guimarães e Vizela no período mais intenso da preparação pascal, assumiu-se como uma verdadeira lição de catequese.
As dezenas de quadros vivos mobilizados pela Real Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e dos Santos Passos - a entidade que promove a realização da procissão - condensaram os momentos cruciais da paixão de Cristo, que inclui condenação à morte sem qualquer sentido de justiça.
A catequização feita pela procissão ganhou maior dimensão no “Sermão do Encontro” que o Arcebispo Metropolita de Braga partilhou no momento de intensidade em que Cristo se encontra com Nossa Senhora da Consolação.
Em frente à igreja da Misericórdia de Guimarães e com o Tribunal da Relação de Guimarães do lado oposto, D. José Cordeiro afirmou que a injustiça que levou à morte de Cristo «continua nos dias hoje».
«No mundo de hoje há guerra, há fome, há injustiças, há condenados inocentes, há abusos e desrespeitos à dignidade de cada ser humano, há pessoas que sofrem», disse o Prelado bracarense», para sublinhar que «enquanto isso continua a acontecer, a paixão de Cristo continuará».
Motivo por que realizar a a Procissão da Paixão de Cristo «não é apenas uma representação de um evento do passado e bem longínquo, mas é um acontecimento bem presente e que diz respeito à vida de cada um de nós».
É que «Cristo não aceita a cruz em nome de pessoas anónimas. Aquela cruz foi carregada por Cristo em meu nome, em teu nome, em nome de todos e de cada um que aqui está, porque o amor de Cristo por nós é um amor pessoal e único», salientou o Arcebispo de Braga, para apontar ao caminho da esperança.
É que o encontro sofrido de Cristo a caminho do calvário com uma mãe em sofrimento «é um encontro de ternura e de luz no meio da escuridão do caminho da cruz» e «é um alento para que o filho continue o caminho, porque o amor de uma mãe é quase inabalável».
«Este encontro é para nós um desafio. O desafio de imitarmos as atitudes de Cristo e de Maria. De Maria devemos aprender a atitude de estar junto dos que sofrem, como ela esteve junto do seu filho até ao fim». Já de Cristo devemos aprender que «depois da cruz vem sempre a luz, vem sempre a Páscoa», resumiu D. José Cordeiro.























