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Família avança para tribunal para travar demolição do bar do Fojo em Esposende

Família avança para tribunal para travar demolição do bar do Fojo em Esposende
Fotografia Inácio Rodrigues

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 06 de setembro de 2024, às 16:01

A Câmara de Esposende anunciou que os trabalhos de demolição do bar do Fojo, em Fão, “estão a decorrer”.

A Câmara de Esposende anunciou esta sexta-feira que os trabalhos de demolição do bar do Fojo, em Fão, “estão a decorrer”, apesar da providência cautelar interposta pela família do antigo proprietário para tentar manter o edifício de pé.

“Não pomos em causa que o terreno pertence ao domínio público hídrico, porque pertence, mas não aceitamos que digam que o bar está ilegal, porque não está. O bar foi licenciado pela Câmara de Esposende e pela Direção Geral dos Portos”, disse hoje à Lusa o advogado da família. Joel Duarte assegurou que a licença foi dada de acordo com a “legislação da altura” e vincou que “a lei não é retroativa”. “O que foi licenciado no passado está licenciado no presente”, referiu.

A Câmara de Esposende, em comunicado, diz que estão a decorrer os trabalhos de demolição do bar, ao abrigo de um protocolo de cooperação técnica celebrado entre o município e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). “De acordo com esclarecimento emitido pela APA, o bar está implantado em terrenos do domínio público hídrico, encontrando-se em completo estado de abandono. O elevado estado de degradação constitui um foco de insalubridade e de risco ambiental face aos resíduos existentes, nomeadamente materiais contendo amianto, ou seja, resíduos perigosos”, acrescenta.

A APA considera ainda que a construção se encontra “em situação ilegal, não sendo possível a sua legalização”. Por isso, optou-se pela demolição total da área edificada, remoção da vegetação (essencialmente espécies infestantes), remoção e encaminhamento para destino adequado dos materiais contendo amianto, limpeza e requalificação do local. A Câmara sublinha que este procedimento foi precedido da afixação de editais nos locais devidos, a tornar pública a intenção de se proceder à demolição e a convidar todos os interessados para, querendo, se pronunciarem.

O advogado da família do antigo proprietário diz que o procedimento administrativo “é irregular”, já que os trabalhos de demolição arrancaram na segunda-feira de manhã e que ele só foi notificado do despacho que autorizou a intervenção depois das 13h00. Diz ainda que o despacho que ordena o avanço da demolição não tem data nem está assinado. “Vamos aguardar pela decisão do tribunal [Administrativo e Fiscal de Braga], na certeza de que tudo faremos para que o edifício não seja demolido e que aquele continue a ser um espaço icónico como foi durante quase 50 anos”, acrescentou Joel Duarte.

O bar do Fojo está implantado desde 1974 na margem do rio Cávado em Fão, Esposende, vai ser demolido, tendo sido, durante quatro décadas, um local de tertúlias e de momentos bem passados, graças ao carisma do proprietário, Sérgio do Fojo, pescador, poeta e trovador. Nos últimos anos, tem estado fechado e em 2019 o proprietário morreu.

Na segunda-feira, avançou o corte da vegetação e de algumas árvores existentes na envolvente do bar, mas o edifício em si ainda não foi demolido. A operação de demolição do bar e limpeza do local será assegurada pelo município, ao abrigo de um protocolo com a APA, e vai custar 50 mil euros. A APA irá depois ressarcir o município naquele montante.