twitter

Livro relembra 41 vianenses que morreram na Guerra do Ultramar

Livro relembra 41 vianenses que morreram na Guerra do Ultramar
Fotografia DR

Diana Carvalho

Jornalista

Publicado em 27 de abril de 2024, às 17:15

A obra recorda os 41 combatentes do concelho de Viana do Castelo que sucumbiram por terras africanas.

A Câmara Municipal de Viana do Castelo recebeu este sábado, dia 27 de abril, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, a apresentação do livro "Uma viagem sem regresso: Os que pela Pátria deram a vida". A obra agora lançada recorda os 41 combatentes do concelho de Viana do Castelo que sucumbiram por terras africanas.

A obra foi redigida por Rodrigo André Vitorino Vaz e conta com prefácio de Pedro Lauret, Capitão de Abril e membro do MFA. O objetivo da obra é eternizar aqueles que de Viana do Castelo partiram e não regressaram.

Na apresentação do livro, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, considerou que a Guerra do Ultramar provou “uma ferida social que continua, ainda hoje, a estar muito presente nas famílias portuguesas”. “A vida destes militares foi interrompida e, a maioria deles, quando regressou, regressou condicionado a algum nível”, afirmou.

Por isso mesmo, o autarca considerou “crucial” interpretar “o que foi esta guerra e as consequências que trouxe para a sociedade portuguesa”. “Este é um livro de qualidade, de profundidade e enorme dedicação que traz o reconhecimento que faltava aos nossos combatentes”, assegurou ainda.

Já o vereador da Cultura, Manuel Vitorino, explicou que a obra, cuja apresentação se insere no “Ler em Viana” e no programa de comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, foi coordenada por um jovem vianense, Rodrigo Vaz, natural de Castelo do Neiva, com experiência em obras sobre ex-combatentes, já que esta é a sua terceira publicação dedicada ao tema.

O autor, Rodrigo Vaz, indicou que, nos treze anos de guerra, entre 1961 e 1974, cerca de um milhão de jovens foi mobilizado e cerca de 10 mil portugueses tombaram em África, para além de terem sido registados 30 mil feridos com consequências físicas e traumas de guerra. “A recolha de testemunhos de portugueses que participaram no conflito é fundamental para compreendermos as experiências de guerra e para registarmos a voz de quem nunca teve voz”, assegurou o escritor, recordando os 40 militares vianenses do Exército e 1 vianense da Marinha que pereceram na guerra.

Em representação do Chefe do Estado-Maior do Exército, o Major-General Francisco Fonseca Rijo realçou “o notável esforço de pesquisa, nomeadamente no Arquivo do Exército, que esta publicação representa, contribuindo para o perpetuar da memória destes militares que serviram Portugal”.