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Portugal gasta 335 ME a comprar adubos e manda para aterro toneladas de resíduos orgânicos - Zero

Portugal gasta 335 ME a comprar adubos e manda para aterro toneladas de resíduos orgânicos - Zero
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 21 de julho de 2026, às 19:08

dados de 2024 para dizer que perto de 1,8 milhões de toneladas de resíduos orgânicos ficaram por valorizar e mais de 1 milhão de toneladas de resíduos indiferenciados foram diretamente para aterro

Portugal tem uma dependência crescente de adubos, tendo importado no ano passado 700 mil toneladas, que custaram 335 milhões de euros, mas desperdiça anualmente 25 milhões de euros em nutrientes e matéria orgânica.

O alerta é da associação ambientalista Zero, que refere dados de 2024 para dizer que perto de 1,8 milhões de toneladas de resíduos orgânicos ficaram por valorizar e mais de 1 milhão de toneladas de resíduos indiferenciados foram diretamente para aterro, sem pré-tratamento e sem cumprir a Diretiva Aterros.

Num comunicado, a associação alerta que o conflito no Médio Oriente evidenciou a dependência de Portugal de fertilizantes, e que estes estão com preços ao nível mais alto desde 2022.

Estima-se, diz a associação, que mais de um terço da ureia, fertilizante de alto teor de nitrogénio, passe pelo Estreito de Ormuz.

A sua produção é altamente dependente de energia e o preço ressente-se disso. Desde o início da guerra o preço da ureia subiu cerca de 80%.

A Zero nota que o aumento do preço dos fertilizantes já levou o Governo a atribuir um apoio extraordinário à atividade agrícola de 20 milhões de euros.

E destaca também que desde 2005 as importações de fertilizantes aumentaram mais de 40% em volume e mais de 260% em valor, ao mesmo tempo que milhares de toneladas de nutrientes e matéria orgânica acabam em aterro.

Nas contas feitas pela Zero, os macronutrientes recuperáveis dos biorresíduos — azoto, fósforo e potássio — valem cerca de 22 milhões de euros por ano, totalizando 25 milhões se somando o valor da matéria orgânica recuperável.

Os efluentes da suinicultura e da bovinicultura intensivas têm o potencial de satisfazer cerca de 50% das necessidades em azoto e fósforo das culturas agrícolas e florestais.

Para inverter a atual situação, a Zero defende a aposta na prevenção de biorresíduos, promovendo-se hábitos de consumo mais responsáveis.

E propõe que se imponham metas progressivas para a recolha seletiva porta-a-porta de resíduos orgânicos, mais exigentes no início para os grandes produtores de resíduos.

A Zero sugere também, entre outras medidas, que se permita aos municípios a reciclagem de resíduos orgânicos através de pequenas centrais de compostagem, criando composto para hortas comunitárias e terras agrícolas municipais.

Promover a compostagem comunitária e doméstica e promover um sistema que incentive a agricultura de proximidade, que permita o aproveitamento eficiente dos nutrientes de origem urbana, são outras propostas da associação.