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Fundo de Fomento Cultural tem 650.000 euros para subsídios de mérito cultural

Fundo de Fomento Cultural tem 650.000 euros para subsídios de mérito cultural
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 21 de julho de 2026, às 19:00

A informação consta da resposta do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto

O Fundo de Fomento Cultural tem 650.000 euros para atribuir este ano subsídios de mérito cultural, e a comissão de avaliação reúne-se "nas próximas semanas" para analisar candidaturas pendentes e garantir os procedimentos para novos pedidos.

A informação consta da resposta do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, datada de 15 de julho, a uma pergunta do grupo parlamentar do Livre sobre cortes no Subsídio de Mérito Cultural e na sequência de uma reportagem do jornal Público sobre este apoio a artistas e autores em carência económica.

De acordo com o gabinete de Margarida Balseiro Lopes, o Fundo de Fomento Cultural tem este ano 650.000 euros para a atribuição de apoio a 65 beneficiários e para acolher novos pedidos de subsídio. Em 2025, “foram despendidos 340.637,29 euros” em subsídios de Mérito Cultural a 85 pessoas.

Em junho, a bancada parlamentar do Livre – e também o PS e o Bloco de Esquerda – questionou a ministra da Cultura sobre esta redução, depois de o jornal Público ter noticiado que a aplicação de novas regras pelo Governo “terá conduzido a cortes significativos neste apoio, com consequências humanas graves”.

De acordo com o jornal, os montantes em causa situam-se entre os 128 e os 600 euros mensais. A peça dá o exemplo de um beneficiário de 78 anos que viu o seu apoio reduzido de 470 para 128 euros e refere que outros recorrem a programas de ajuda alimentar ou deixaram de poder custear cuidados de saúde.

Na resposta ao Livre, o gabinete de Margarida Balseiro Lopes esclarece que não houve “qualquer objetivo de poupança de recursos”, nem “quaisquer alterações” nos critérios e pressupostos na atribuição este ano daquele subsídio.

O que o Governo diz ter feito foi “assegurar a correta aplicação da lei e salvaguardar os princípios da legalidade e da igualdade de tratamento entre todos os beneficiários”, depois de a Inspeção-Geral de Finanças ter detetado, numa auditoria ao Fundo de Fomento Cultural, diferentes métodos de avaliação “da condição de recursos entre beneficiários admitidos antes e depois de 2018”.

A título de exemplo, o ministério diz que o subsídio estava a ser processado a 13 prestações anuais, “apesar de o regime jurídico apenas prever doze prestações”.

Segundo o Governo, “todos os beneficiários passaram a ser avaliados segundo os mesmos critérios legalmente previstos, designadamente através da aplicação do limiar de carência económica correspondente a 1,5 vezes o Indexante dos Apoios Sociais, fixado para 2026 em 805,70 euros”.

Quanto aos atuais 65 beneficiários, o Ministério da Cultura revela que 23 permanecem no mesmo escalão, 26 desceram de escalão de apoio e 17 subiram para “um escalão mais favorável”.

Vinte pessoas ficaram sem subsídio de mérito cultural desde 2025 por vários fatores: por não preencherem os requisitos de carência económica, por falta de documentação ou porque morreram.

A 19 de junho, o ministério tinha já revelado que 11 beneficiários contestaram a perda de subsídio ou descida de escalão.

Segundo o Governo, a Comissão de Avaliação do Mérito Cultural, que não se reúne desde 2022, voltará a reunir-se “nas próximas semanas”, para apreciar “as candidaturas pendentes e assegurar a normal tramitação de novos pedidos de atribuição do apoio”.

Esta comissão tem uma nova composição, aprovada este mês pelo Governo, com a presidente do Fundo de Fomento Cultural, Maria de Lurdes Morais Camacho, Pedro Carvalho (Instituto da Segurança Social), Bruno Eiras (Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas), Susana Costa Pereira (Instituto do Cinema e do Audiovisual) e Amélia Fançony (Direção-Geral das Artes).

O Subsídio de Mérito Cultural foi instituído em 1982 para artistas e autores que manifestem carências económicas, mas esteve sem aceitar novos beneficiários entre 2003 e 2018.

Na sequência da auditoria da Inspeção-Geral das Finanças, o Parlamento aprovou, a 16 de julho de 2025, a audição dos antigos ministros da Cultura Pedro Adão e Silva e Graça Fonseca e da antiga diretora-geral do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais, Maria Fernanda Heitor, sobre o funcionamento e a gestão do Fundo de Fomento Cultural.

A audição, requerida pelo Chega, e aprovada com os votos a favor do PSD e do Chega e a abstenção do PS, do Livre e do PCP, ainda não aconteceu.

Na terça-feira, Margarida Balseiro Lopes tem uma audição regimental na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.