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Sameiro Araújo destaca Fernando Mamede como "melhor português de sempre do meio fundo"

Fernando Mamede foi homeneagado em 2018 na Meia Maratona de Braga
Fotografia DM

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 28 de janeiro de 2026, às 18:45

Treinadora de atletismo

A treinadora de atletismo Sameiro Araújo manifestou hoje à agência Lusa “muito pesar” pela morte de Fernando Mamede, considerando o antigo corredor do Sporting o “melhor atleta português de sempre do meio fundo”.

“Para mim, o Fernando era o melhor atleta português de sempre do meio fundo. Apesar de não conseguir medalhas olímpicas - mas recordo que teve uma medalha de bronze no Campeonato do Mundo de corta-mato [1981] -, o Fernando fazia resultados excecionais e só a debilidade psicológica o atraiçoou e, em termos de Jogos Olímpicos, não conseguiu demonstrar toda a sua valia e toda a sua qualidade”, disse a treinadora.

Assumindo “a grande admiração” por Mamede, Sameiro Araújo disse ter sido “com muito pesar” que foi “apanhada completamente de surpresa” com o falecimento.

“Acabámos de perder um dos grandes do atletismo português e, diria mais, um dos maiores do desporto português. Tive o prazer de conviver com o Fernando durante muitos anos, nos seus tempos áureos, em estágios que fazíamos da seleção nacional ou dele no Sporting e eu no Sporting de Braga na aldeia das Açoteias [no Algarve]. Eram dois ou três estágios por ano em que nós partilhávamos experiências e boa disposição, e também em inúmeras competições”, lembrou.

Sameiro Araújo recorda que, por vezes, a ansiedade tomava conta de Fernando Mamede nos dias das grandes provas e o atleta “bloqueava completamente”, notando que, quando não recaía sobre ele a maior responsabilidade, se soltava, dando o exemplo de quando bateu o recorde mundial dos 10.000 metros num ‘meeting’ na Suécia, em julho de 1984.

“Essa corrida é fora de série. Quando não havia medalhas, ou os holofotes não estavam muito em cima dele, porque nessa prova o favorito era o Carlos Lopes, sem grandes pressões, ele conseguia agigantar-se e fazer aquilo de que era capaz”, frisou.

A responsável técnica notou que, se fosse hoje, com o acompanhamento psicológico que os atletas têm, o percurso de Mamede poderia ter sido ainda melhor.

“Se o Fernando fosse atleta hoje com certeza que teria tido uma ajuda especializada e poderia ter atingido um patamar muito, mas muito superior. Infelizmente, isso não acontecia há 40 anos”, lamentou.

Fernando Mamede morreu na terça-feira, aos 74 anos.