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CEO da Casais sustenta que construção industrializada poupa horas de trabalho

Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 16 de julho de 2026, às 17:27

Segundo António Carlos Rodrigues, a industrialização da construção permitirá superar a escassez de mão-de-obra e aumentar a capacidade do setor para concorrer às grandes obras públicas

A construção industrializada vai permitir fazer “o mesmo trabalho em menos horas” e aumentar a produtividade no setor, disse hoje o presidente executivo (CEO) do Grupo Casais, António Carlos Rodrigues.

Intervindo sobre “Industrialização da Construção: Produtividade, Soberania e Futuro,” num almoço-debate no International Club of Portugal, o CEO da Casais enumerou as vantagens do modelo para superar a escassez de mão-de-obra e aumentar a capacidade do setor para concorrer às grandes obras públicas e satisfazer as necessidades de habitação.

Para o gestor, a construção industrializada exige “muito trabalho antes de executar” e muito investimento "na digitalização dos processos”, mas em contrapartida a “montagem é feita com maior precisão” e “o custo de mudar [o projeto] é menor”.

Com maior rigor na execução, "há menos improviso e mais projeto", menor recurso a mão-de-obra indiferenciada e maior procura por profissionais qualificados, segundo explicou.

A construção industrializada permite também “trabalhar com mais segurança”, reduzir a exposição dos trabalhadores ao clima, diminuir as deslocações, conciliar melhor as vidas profissional e familiar e alcançar maior paridade de género na fábrica do que na obra.

Referiu ainda que a solução tornou possível que a Casais construísse uma residência estudantil em Beja deslocando para a obra apenas 100 em vez dos 300 trabalhadores que uma construção tradicional exigiria.

“Com o volume de mão-de-obra atual, este modelo permite-nos triplicar a capacidade de resposta”, afirmou António Carlos Rodrigues, defendendo a criação de um ecossistema de produção industrial para desenvolver o setor.

Caso contrário, as empresas não vão conseguir resolver facilmente o problema da falta de mão-de-obra e do custo dos materiais de construção.

“Se não conseguirmos atrair pessoas, a culpa é do setor que não se soube transformar e continua a fazer o que fazia há um ou dois séculos”.

O CEO da Casais considerou ainda que as empresas portuguesas têm de ter capacidade e tecnologia para concorrer a grandes obras como o novo aeroporto de Lisboa ou a alta velocidade ferroviária.

“Se não tivermos capacidade, vamos ter pagar o preço que nos ditarem. Não vamos ter capacidade para fazer tudo, mas devemos ter a capacidade suficiente para fazer escolhas”, disse.