twitter

Que universidade queremos construir? Vozes e desafios do RENOVAR*TE

Que universidade queremos construir? Vozes e desafios do RENOVAR*TE galeria icon Ver Galeria
Fotografia DR

Redação

Publicado em 28 de maio de 2026, às 23:18

Debate decorreu na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP Braga.

Entre perguntas sobre o futuro da universidade, desafios da pedagogia contemporânea e a necessidade de recentrar a educação nas pessoas, o encontro RENOVAR*TE reuniu diferentes vozes num exercício de reflexão e diálogo em torno da missão educativa inaciana. 
Das intervenções e testemunhos partilhados no encontro, que decorreu no dia 20 de maio, na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa de Braga, emergiram ideias, inquietações e perspetivas que ajudam a pensar o papel da universidade num tempo de rápidas transformações sociais.

Destacaram-se como ideias mais marcantes a reafirmação da identidade da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais enquanto instituição inaciana e a centralidade do discernimento como prática essencial para a vida pessoal e comunitária.

Ficou clara a convicção de que renovar não significa romper com a tradição, mas acolhê-la, preservar os seus elementos fundamentais e reinterpretá-la à luz dos desafios contemporâneos. O compromisso com a formação integral da pessoa, a promoção da justiça e a procura do bem comum permanece, assim, no centro da missão educativa.

Ao mesmo tempo, o discernimento surgiu como uma dimensão essencial, não apenas para a compreensão da vida interior, mas também como instrumento para decisões mais conscientes, livres e orientadas para aquilo que conduz ao bem mais profundo.

Luísa Magalhães e Artur Ilharco Galvão
 

RENOVAR*TE: Quando a Academia Encontra a Humanidade

O encontro RENOVAR*TE decorreu no passado dia 20 de maio, na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP-Braga.Afirmou-se como uma experiência singular no contexto académico, distinguindo-se pela capacidade de unir reflexão, identidade e proximidade humana. Embora a estrutura, os recursos tecnológicos e os convidados apontassem para um encontro formal dedicado à pedagogia e à identidade inacianas, cedo se tornou evidente que havia algo de diferente: um ambiente de acolhimento, partilha e humanidade que ultrapassou os formatos académicos tradicionais.

No centro das reflexões esteve o desafio lançado pelo Padre Geral da Companhia de Jesus, Arturo Sosa, que apelou às universidades jesuítas para serem testemunhos vivos de esperança: uma esperança enraizada na identidade espiritual, comprometida com a justiça, solidária com os excluídos, crítica perante as pressões e modas do tempo, mas sempre aberta ao diálogo e profundamente dedicada à transformação social e ecológica do mundo.

Ao longo do encontro, tornou-se claro que a pedagogia inaciana continua a oferecer uma visão atual e necessária da educação. Uma pedagogia que assume sem receios a sua identidade cristã, humanista e integral, colocando a pessoa no centro do processo educativo. Historicamente, este modo de olhar a educação ajudou a recentrar a aprendizagem no aluno, a valorizar a missão docente e a formar pessoas capazes de pensar livremente, unindo competência, pensamento crítico e humanidade.

Mais do que apresentar teorias ou metodologias, o encontro mostrou algo mais profundo: a força transformadora de uma tradição viva. As palavras de Santo Inácio e de Arturo Sosa não surgiram apenas através dos textos trabalhados, mas tornaram-se experiências testemunhadas, vividas e partilhadas na primeira pessoa. O conhecimento foi transmitido não apenas como discurso, mas como expressão de uma identidade comum e de um património espiritual e intelectual já interiorizado por muitos dos participantes.

Ficou igualmente a sensação de que muito ficou ainda por dizer — e talvez esse seja um dos sinais do sucesso de um encontro desta natureza: sair com vontade de continuar a conversa. Porque a educação, à luz da tradição inaciana, não se esgota em técnicas ou modelos; é um exercício contínuo de renovação humana, discernimento e compromisso com o bem comum. Num tempo em que tantas vezes existe mais pedagogismo do que verdadeira pedagogia, encontros como o RENOVAR*TE recordam a urgência de formar pessoas competentes, mas também conscientes, compassivas e comprometidas com a construção de um mundo mais justo e fraterno.

Ana Paula Pinto e Susana Vilas-Boas



A Pedagogia da Esperança: Humanismo e Identidade no RENOVAR*TE

O ambiente criado pelo encontro RENOVAR*TE revelou-se como um espaço privilegiado de reflexão e encontro, onde a pedagogia e a identidade inacianas foram vividas de forma muito para além do formato académico tradicional. O encontro foi marcado pela proximidade, pela escuta e pela partilha, permitindo transformar um encontro “formal” num verdadeiro exercício de construção de comunidade, onde o rigor académico coexistiu com uma profunda dimensão humana.

Num tempo de rápidas transformações sociais, marcado pela omnipresença da tecnologia e pela crescente complexidade das relações humanas, torna-se cada vez mais necessário formar pessoas conscientes, competentes, compassivas e comprometidas com a transformação do mundo. É precisamente neste horizonte que a universidade jesuíta se afirma como diferenciadora: através de uma visão humanista que coloca a pessoa no centro do processo educativo e entende o estudante como sujeito ativo, crítico e participante na construção do conhecimento.

Ao longo do encontro, ficou evidente a importância de assumir a identidade da pedagogia inaciana sem receios nem ambiguidades. Enraizada na tradição cristã e inspirada pelo carisma de Santo Inácio de Loiola, esta visão educativa sempre procurou recentrar a educação no aluno e valorizar profundamente a missão docente. Mais do que criar modelos inteiramente novos, a tradição educativa jesuíta soube reinventar, aprofundar e sistematizar o melhor que recebeu ao longo da História, formando pessoas livres, críticas e capazes de intervir na sociedade com inteligência e sentido ético.

Também os educadores assumem aqui um papel central: mais do que transmissores de conhecimento, são chamados a ser agentes de transformação humana, social e cultural. Inspirados pelos princípios da Pedagogia Inaciana, tornam-se verdadeiros “semeadores de esperança”, promovendo uma educação assente no pensamento crítico, na criatividade, no trabalho colaborativo e numa consciência ética orientada para o serviço dos mais vulneráveis.

Talvez um dos sinais mais fortes deixados pelo RENOVAR*TE tenha sido precisamente o desejo de continuidade. Ficou a sensação de que muito mais haveria ainda para partilhar, discutir e aprofundar. E isso confirma que a educação continua a ser, antes de tudo, um caminho de encontro, discernimento e esperança — um espaço onde a humanidade permanece mais importante do que o formalismo e onde educar continua a significar transformar vidas.


José Manuel M. Lopes e Ângela Azevedo
 

RENOVAR*TE: Universidade, Esperança e Missão Educativa

A Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP Braga continua a encontrar a sua maior força nas pessoas que a habitam e constroem diariamente. Esta foi uma das ideias centrais que emergiu do encontro RENOVAR*TE, iniciativa que promoveu um espaço de reflexão, diálogo e partilha em torno dos desafios atuais da pedagogia e da identidade universitária.

Ao longo das diferentes intervenções, professores e estudantes surgiram não apenas como participantes da vida académica, mas como protagonistas da missão educativa e verdadeiros veículos de esperança, capazes de renovar o sentido e o propósito da universidade. Mais do que uma estrutura de ensino ou um espaço de transmissão de conhecimento, a universidade foi apresentada como uma comunidade construída a partir das relações humanas e do compromisso partilhado.

As várias perspetivas partilhadas permitiram destacar um desafio que se torna cada vez mais evidente: pensar uma pedagogia inaciana para o nosso tempo exige mais do que respostas prontas ou soluções imediatas. Exige capacidade de escuta, discernimento, proximidade e a coragem de imaginar novas formas de presença universitária, capazes de responder às exigências e mudanças do mundo contemporâneo.

Ao longo do encontro, ficou clara a importância do diálogo como ponto de partida para a construção de pensamento e para a procura de caminhos comuns. As intervenções contribuíram para tornar mais visível a necessidade de repensar a missão educativa à luz dos desafios atuais, reforçando a ideia de que a universidade continua a ser um espaço privilegiado para formar pessoas e construir esperança.

O RENOVAR*TE deixou, assim, uma convicção partilhada: num tempo de mudança acelerada, a universidade continua a afirmar-se como lugar de encontro, reflexão e compromisso, onde a educação permanece profundamente ligada à capacidade de transformar pessoas e abrir horizontes de futuro.

Catarina Nogueira

 

Valores universais e simples de entender

Pensar a vocação do ensino superior jesuíta é uma obrigação de todos o que nele reconhecem o seu valor. Falamos de valores universais e simples de entender. Abertura, Liberdade e Esperança. Abertura ao mundo, Liberdade de Pensamento e Esperança no Futuro, são fundamentos para a estruturação de uma sociedade rica, plural e inclusiva, atenta ao outro, em particular o que vive em mundos marginais. Rica pela discussão e debate aberto, plural pela aceitação de diferentes mundivisões e inclusiva pelo acolhimento do estranho. Neste mundo onde tudo aponta para o império da antipatia, a educação de fundamento jesuíta é um lugar, um espaço e uma realidade geradora de empatia.

Por isso, ser acolhido nestes encontros confere sentido ao que procuro, robustece a minha convicção do caminho certo e alerta-me para a riqueza da vida.

José Vale Machado

 

A iniciativa contou também com a intervenção do académico Luís da Silva Pereira e Eugénio Oliveira.