A terceira edição da bienal de arte e tecnologia INDEX regressa a Braga na quinta-feira, apresentando até 17 de maio espetáculos, exposições e conferências em vários espaços da cidade, do Theatro Circo ao recém-inaugurado Muzeu.
Na apresentação de nova edição da bienal, a organização propõe “uma reflexão alargada sobre as múltiplas relações entre poder, arte e tecnologia”.
“A par de um desenvolvimento ímpar, os exponenciais avanços tecnológicos levados a cabo nas últimas décadas têm também conduzido a uma maior fragmentação política e social, ao florescer de extremismos e desigualdade económica, a uma massiva vigilância algorítmica e, inevitavelmente, à progressiva redefinição das relações de poder, reconfigurando o conceito de soberania, agora refém das omnipresentes gigantes tecnológicas”, pode ler-se no texto de apresentação.
Já num texto assinado pela coordenadora da Braga Cidade Criativa da UNESCO em ‘media arts’, Joana Miranda, a responsável vê na bienal “um espaço de convergência” para perguntar: “a quem pertence o futuro que estamos a construir?”
O programa abre quinta-feira no Theatro Circo com "The Drum and The Bird", um espetáculo apresentado em estreia mundial de Forensis e Bill Kouligas, sobre uma investigação do coletivo Forensic Architecture sobre o colonialismo alemão na Namíbia.
No mesmo espaço, na sexta-feira, os Supersilent trazem Lawrence Abu Hamdan de volta ao evento, numa performance construída em colaboração e por encomenda do INDEX e do Rewire (Países Baixos), o coletivo Zabra estreia um novo trabalho no gnration e o coreógrafo Arkadi Zaides apresenta "TALOS", no sábado, sobre movimento, tecnologia e o futuro das fronteiras.
Nota ainda para um concerto do duo Nídia & Valentina, que junta a portuguesa Nídia à percussionista italo-britânica Valentina Magaletti, a 16 de maio.
A exposição da terceira edição da bienal espalha-se pela cidade, entre o Theatro Circo, o gnration, o Mosteiro de Tibães, o Forum Arte Braga e o Muzeu, incluindo obras de Hito Steyerl, Raven Chacon, Gabriel Abrantes, Cemile Sahin e Shuang Li, entre outros, sob curadoria de Joel Valabrega, que foi curadora do Pavilhão do Luxemburgo na Bienal de Veneza de 2024.
Na programação de conferências, estão agendadas palestras da australiana McKenzie Wark, conhecida pela obra "Manifesto Hacker", entre outras, o francês Yves Citton, especialista em literatura e 'media', e os portugueses José Gil, Sofia Miguens e António Guerreiro.
Estão ainda previstas ações de serviço educativo, pelo Braga Media Arts, ao abrigo do Circuito, com oficinas sobre filocriatividade por Joana Rita Sousa.
O acesso às performances custa nove euros, e é paga também a entrada no Muzeu e no Mosteiro de Tibães, sendo o resto da programação de entrada gratuita.
O INDEX, iniciativa da Braga Media Arts, é promovido pela Faz Cultura com o apoio da Câmara de Braga.