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Especialistas reunidos na UCP-Braga defendem reforço do diálogo para a compreensão, convivência e coesão social

Fotografia DM

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 21 de abril de 2026, às 18:56

Conferência europeia final do projeto InterMu-Se termina esta quarta-feira

A conferência internacional final do projeto europeu InterMu-Se, na UCP-Braga, contou hoje com vários especialistas e representantes de organizações europeias que trabalham na promoção do diálogo inter-religioso e interconviccional.

Entre os participantes esteve Loredana Bouquard, coordenadora de projetos europeus da organização francesa Coexister, um movimento juvenil inter-religioso que promove a convivência entre pessoas de diferentes crenças religiosas e convicções.

A responsável alertou para o aumento do ódio e da discriminação religiosa em vários países, sobretudo entre muçulmanos e judeus, após o massacre do dia 7 de outubro de 2023. 

«É muito importante podermos dialogar, compreender-nos e construir juntos uma paz duradoura», afirmou Loredana Bouquard, destacando o papel dos jovens na promoção da coesão social.

Por seu lado, Christine Taieb, presidente da Amizade Judaico-Muçulmana de França (AJMF), apesar de reconhecer que as relações entre judeus e muçulmanos se tornaram mais difíceis após o 7 de outubro, mostrou-se otimista quanto ao impacto destes como o realizado em Braga.

 «Estas ações continuam a ser indispensáveis e necessárias. Temos cada vez mais apoiantes que reconhecem a importância deste trabalho para a coesão social», afirmou.

A dirigente associativa destacou ainda que o diálogo inter-religioso ultrapassa a dimensão religiosa, representando um papel central na construção de sociedades mais inclusivas. 

Também Laurent Grzybowski, presidente da CINPA — coletivo que reúne cerca de uma quinzena de associações inter-religiosas da região de Paris — defendeu a necessidade de reforçar o diálogo à escala europeia.

Segundo o responsável, a cooperação europeia é essencial para enfrentar desafios comuns. 

«Juntos somos mais fortes. Esta é uma luta que precisa de ser alargada à dimensão europeia», afirmou.

A conferência contou também com Salar Abbasi, professor da Faculdade de Direito da UCP de Lisboa, de origem iraniana e também cidadão português, que destacou o papel das universidades como espaços privilegiados para promover o debate crítico entre diferentes tradições religiosas e correntes de pensamento.

O docente defendeu a necessidade de analisar as dimensões ideológicas e políticas associadas às religiões, com vista a melhorar as relações entre comunidades.

«Precisamos de separar princípios fundamentais, discutir em conjunto e encontrar pontos comuns. Pessoas de diferentes religiões, ateus e não crentes têm de se reunir e dialogar. Para construir um mundo melhor, precisamos de caminhar juntos em direção à paz», afirmou.