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Procissão dos Passos de Cabreiros desafiou à inclusão e atenção aos mais necessitados

Procissão dos Passos de Cabreiros desafiou à inclusão e atenção aos mais necessitados
Fotografia

Francisco de Assis

Jornalista

Publicado em 08 de março de 2026, às 20:32

O pregador, padre João Alberto Correia, falou ao coração de uma grande multidão em dois sermões

A procissão dos Santos Passos de Cabreiros voltou a atrair, ontem, uma grande multidão, não só da freguesia como de muitas partes do concelho de Braga e não só. Na sua pregação, o padre João Alberto Correia falou ao coração dos presentes, desafiando-os a seguir o caminho de Cristo, que é o caminho da integração, do acolhimento, da inclusão e na atenção aos mais necessitados.

Como é tradição, em Cabreiros, houve dos sermões: o do Pretório, dentro da Igreja de São Miguel de Cabreiros; e o do Encontro, considerado o «momento mais supremo» da procissão dos Passos. Por um lado, pelo encontro entre Cristo e a sua Mãe Maria; mas também pela  presença de Verónica, figura de grande simbolismo na Igreja Católica, por aquilo que representa, em termos de compaixão para com as dores e necessidades do próximo. Aliás, as figuras de Verónica, de Maria Santíssima e de Simão de Cirene serviram de mote como os bons exemplos a seguir. Representam as figuras positivas.

O pregador também lembrou as figuras negativas, como Pilatos, mas também outros, como Pedro e outros discípulos que, em vez, ou traíram a confiança do Amigo; ou de Pilatos que, em vez de assumir as suas responsabilidades, na defesa do justo e da justiça e da dignidade humana, optou por “lavar as mãos”, isto é, pelo «politicamente correto».

O padre João Alberto Correia lembrou as mulheres de Jerusalém e sobretudo Simão de Cirene, que inspirou e continua a inspira tantos e tantos homens e mulheres daquele tempo, de todos estes séculos e dos dias de hoje e que certamente  continuará a ser figura e modelo inspirador para o presente e para o futuro.

«E naquele Cirineu que ajudou Jesus a levar a cruz, só podemos lembrar e prestar um tributo a tantos homens e mulheres que, nos dias de hoje, pelos caminhos da paixão do nosso tempo e do nosso mundo, ajudam os outros a levar a Cruz. Lembramos de forma agradecida aqueles que visitam os doentes em casa ou nos hospitais. Lembramos os visitadores da prisão, lembramos aqueles que vão ao encontro dos mais pobres e dos mais necessitados».

Pregador lembrou
a causa 
dos excluídos

Sem mencionar a palavra migrantes, o pregador apelou ainda ao acolhimento e à integração daqueles que procuram o país para viver, a fugir da guerra, das perseguições e da miséria.

«Lembramos aqueles que assumem a causa dos excluídos, num tempo em que há muita gente interessada em excluir cada vez mais. Esse não é o caminho, meus amigos, o caminho é o da inclusão, o caminho é o dos braços abertos, o caminho é o do acolhimento, o caminho é este: da mitigação da dor, o caminho é este, de chorarmos a sorte infeliz de tantos irmãos que, por causa da guerra, que por causa da falta de condições humanas, que por falta de inclusão social, deixam quantas vezes as suas terras e partem ao encontro de terras ditas de liberdade e de acolhimento para serem acolhidos, para serem integrados e para se sentirem amados. E porque é que, na nossa sociedade, damos voz àqueles que excluem? Alguém é capaz de me responder? Talvez o silêncio seja a melhor resposta e a meditação seja a melhor atitude para mudarmos formas de proceder, para mudarmos comportamentos que são vergonhosos e ignominiosos porque atentadores da dignidade humana», disse.