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Reitor dos Congregados diz que escutar padre António Vieira no atual contexto político e social é uma necessidade ética

Fotografia Francisco de Assis

Francisco de Assis

Jornalista

Publicado em 22 de fevereiro de 2026, às 21:17

Ator José Miguel Braga dramatizou o “Sermão da Primeira Dominga da Quaresma” ou das Tentações

A Basílica dos Congregados recebeu, esta tarde, a segunda sessão das leituras dramatizadas do ciclo “A Voz do Imperador”, desta vez o “Sermão da Primeira Dominga da Quaresma”, também conhecido por “Sermão das Tentações”, pela voz do ator José Miguel Braga, que deu  voz e ênfase barroca às palavras do padre António Vieira, proferidas no longíncuo ano de 1653, em Marnhão, no Brasil. Numa sessão bem concorrida, apesar do apelativo sol que se fazia sentir em Braga, o reitor dos Congregados Considerou que «escutar Vieira, no atual contexto político, social e cultural de Portugal e do mundo é mais do que um exercício literário, é uma necessidade ética», precisamente pela surpreendente atualidade.

A sessão contou com a presença do Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro; o padre Tiago Freitas, irmãos da Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Santa Ana dos Congregados e muita gente simplesmente interessada na cultura, de modo particular dos sermões do Padre António Vieira.

Antes do Sermão, dramatizada pela voz de José Miguel Braga, o padre Paulo Terroso dirigiu-se ao público para explicar o contexto deste ciclo, que começou na Quarta-Feira de Cinzas e que se prolonga até ao dia 30 de março, com uma Ceia Pascal Bíblica; mas também para sublinhar a relevância dos sermões do padre António Vieira, de uma extraordinária atualidade.

O reitor do Basílica dos Congregados chamou ao momento de “oratória e espiritualidade”, neste caso para escutar o Sermão da Primeira Dominga da Quaresma, «um dos sermões mais corajosos e impactantes da obra do Padre António Vieira».

«É fundamental sublinhar o pioneirismo de Vieira na interculturalidade, sendo hoje considerado um paradigma desta mentalidade. Muito antes de os conceitos modernos de direitos humanos serem teorizados, Vieira já praticava o “despojamento intelectual”, “descendo” até ao outro para aprender as línguas autóctones, como o tupi-guarani, no intuito de estabelecer um diálogo real e igualitário. Para ele, o encontro de culturas baseava-se na convicção profunda de que a natureza fez todos os homens iguais e livres, independentemente da cor ou da fortuna».