O Dia da Galiza na AGRO voltou hoje a realizar-se, cumprindo uma tradição com mais de duas décadas que serve para fortalecer as relações entre os dois territórios, e mais uma vez, provar que “a Galiza mail’ o Minho são como dois namorados”. Ao permanente e histórico intercâmbio cultural e turístico, começou, nos últimos anos, a juntarse a ideia de “um destino” e a formar-se a perceção de “um mercado”, que tem tudo a ganhar nesta troca de experiências e saberes.

A Galiza fez-se representar pela província de Ourense, nomeadamente pela Expourense, que divulgou alguns dos ex-libris da gastronomia galega e “bebeu” da experiência e do saber fazer da AGRO.
«É importante sempre ver o que os outros fazem para aprender. Vimos aqui também para colaborar com Braga e com as Câmaras Municipais que aqui estão e que também participam nas feiras que se realizam em Ourense», afirmou o diretor da Expourense, Rogelio Martinez.
Salientando que «o intercâmbio entre a Galiza e o Norte de Portugal é permanente», Rogelio Martinez recordou que é frequente dizer-se « dois países, um único destino», acrescentando que «podemos dizer perfeitamente que são dois países, um único mercado».
«Por isso temos que estar muito unidos para conjuntamente fazer acontecer», defendeu.
O responsável adiantou que em Ourense há três feiras internacionais, uma de termalismo, uma de eno-gastronomia e outra de vinhos, e que a estas se junta uma feira de indústria funerária. Segundo Rogelio Martinez a estas feiras junta-se um elenco de pequenas feiras, em que não há participação de Portugal, mas que podem constituir oportunidades únicas para a entrada do nosso país naquele mercado.
O responsável realçou também que há nas instalações uma pista de atletismo coberta, que é a única da Península Ibérica, e onde na semana passada se celebrou um evento ibérico com a participação de Portugal.
«Queremos aprender o que se faz noutros lugares para tentar fazer e melhorar» afirmou este responsável, abrindo em simultâneo também as portas do mercado de Ourense ao Norte de Portugal, complementando assim os antigos fluxos turísticos que terminavam na zona de Vigo.
«Até aqui a aposta em Ourense tem sido mais rara e nós queremos mudar isso e mostrar a nossa natureza, a nossa gastronomia, o nosso turismo e queremos que Braga participe nesta aposta», afirmou.
Segundo Rogelio Martinez a participação das empresas portuguesas nas feiras em Ourense não tem sido significativa, até porque se tratam de certames em que, não é privilegiada a participação de profissionais, mas sim das autarquias, que se deslocam à Galiza para ali “vender” o que produzem e dar a conhecer a sua vertente turística, pelo que esta promoção é essencial.
Não havendo feiras agrícolas na Galiza e em particular em Ourense, Rogelio Martinez considera também muito importante mostrar na Galiza o que de importante se faz em Braga a este nível até porque Ourense tem também um setor agrícola representativo.
Por seu turno, o vereador da Câmara de Braga, Altino Bessa, realçou que «estando nós perante a maior feira de agricultura no Norte, que permite divulgar o setor agrícola, dando-o a conhecer do ponto de vista profissional, é muito importante o estabelecimento destas parcerias, nomeadamente com a Galiza, com a Expourense, onde nós também costumamos expor , divulgando os eventos que acontecem em Braga».
«São um parceiro antigo há quase 25 anos, e um parceiro privilegiado e por isso nós temos sempre muito gosto em receber esta comitiva», afirmou.
Altino Bessa salientou que os fluxos entre Braga, o Norte de Portugal e a Galiza são muitos, sobretudo com a aproximação da Semana Santa.
«São inúmeros os espanhóis, nomeadamente galegos, que visitam a cidade e que sabem que também o público português no Norte de Portugal e mais concretamente os bracarenses, são um público interessante do ponto de vista da dinamização económica, da valorização do seu território, do turismo», afirmou.
Altino Bessa defendeu ainda a importância de aproveitar as «similaridades entre as duas regiões e aquilo que elas têm em comum»