Saiu à rua, esta tarde, a Procissão dos Passos de Real. Foram muitas as pessoas que assistiram e participaram na celebração que juntou centenas de figurantes, desde crianças até idosos, num momento de fé e devoção, onde não faltaram as lágrimas, em particular no momento da encenação do encontro de Jesus com a sua mãe, Maria. E foi precisamente neste momento que, no decorrer do sermão, o cónego José Paulo Abreu estabeleceu um paralelismo entre a caminhada de Jesus em direção ao calvário com o que se verifica atualidade, tendo deixado algumas reflexões.
Sobre a cruz que Jesus carrega, e que simboliza o sofrimento mas também a árvore da vida, deixou claro que não é só o passado que a faz pesar, mas também «atrocidades do presente« como o «drama da droga», a solidão de muitos, as guerrilhas internas. Na imagem de Judas, que empurrou Jesus para a cruz, o cónego vê «as ingratidões de hoje». Já em Pilates, vê aqueles que «deixam andar e nada fazem». No Sinédrio, «os sabichões que sabem tudo». Em contrapartida, em Maria e nas «santas mulheres que choram» enquanto se dirige ao calvário, vê «sinais de esperança». «Estas santas mulheres temos de ser nós quando encontramos miséria, doença e solidão», disse.
Na sua interpelação, alertou para os flagelos que o mundo enfrenta e pediu menos guerra e que «Jesus toque nos coração dos homens que mandam». Menos armas e mais unidades de saúde; menos investimento na guerra e melhores vias de comunicação; menos mísseis e mais escolas; menos canhões e mais corações capazes de amar; mais crianças felizes, mais lares reconstituidos e sociedades em paz foram outros dos desejos manifestados pelo cónego José Paulo Abreu.
«Não gastem dinheiro na guerra mas a fazer felizes as pessoas. Gastem recursos para que a sociedade seja mais harmoniosa. Queremos mais hospitais, mais habitação, mais escolas, mais gente feliz e não destroçada, mutilada e morta», disse, fazendo alusão a guerras como a de Israel em Gaza e a da Rússia na Ucrânia.






